Operação do Gaeco apura suposta cobrança para nomeações e possível prática de “rachadinha”; investigação ainda está em andamento
Por Marcello Sampaio | Tribuna da Cidade – Paraná
Uma operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), colocou o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, Tico Kuzma (PSD), no centro de uma investigação que apura a existência de um suposto esquema envolvendo a indicação de cargos comissionados na administração municipal.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (29), a investigação teve início há mais de um ano após o recebimento de uma denúncia que relatava a possível comercialização de cargos públicos.
De acordo com a promotora de Justiça Nicole Gonçalves, a hipótese investigada é de que pessoas interessadas em ocupar cargos comissionados indicados pelo presidente da Câmara teriam sido orientadas a realizar pagamentos para obter a nomeação.
Ainda conforme o Ministério Público, a suspeita é de que, após a nomeação, alguns ocupantes dos cargos passassem a devolver mensalmente parte de seus vencimentos, prática popularmente conhecida como “rachadinha”.
É importante destacar que todas essas informações fazem parte da investigação em curso e ainda serão analisadas ao longo do processo, garantindo-se aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Mandados de busca
Durante a Operação Prática Corrente foram cumpridos mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados a servidores públicos e assessores.
Os investigadores apreenderam celulares, computadores, documentos, anotações e equipamentos eletrônicos que agora serão submetidos à perícia.
Em um dos endereços também foram encontrados aproximadamente R$ 37,5 mil em dinheiro em espécie, valor cuja origem também será objeto de apuração.
Até o momento, o Ministério Público não informou quantos cargos estariam sendo investigados nem qual teria sido a movimentação financeira total do suposto esquema.
Próximos passos
A investigação segue em fase de coleta de provas.
Caso o Ministério Público entenda existirem elementos suficientes, poderá oferecer denúncia à Justiça.
Na esfera política, eventuais desdobramentos poderão envolver análise pelos órgãos competentes da Câmara Municipal, conforme prevê o Regimento Interno e a legislação aplicável, sempre observando o devido processo legal.
A reportagem da Tribuna da Cidade permanece acompanhando o caso e manterá seus leitores informados sobre novos desdobramentos, bem como publicará manifestações da defesa dos investigados sempre que apresentadas.

Por Marcello Sampaio – Editor-Chefe da Tribuna da Cidade
A Operação Prática Corrente reacende um debate que há décadas acompanha a política brasileira: o uso dos cargos comissionados e a necessidade de mecanismos cada vez mais eficientes de fiscalização.
É importante destacar que investigações não representam condenação. Toda pessoa investigada possui direito constitucional à ampla defesa e à presunção de inocência. Ao mesmo tempo, denúncias envolvendo recursos públicos e nomeações políticas merecem ser apuradas com absoluto rigor pelas instituições responsáveis.
O caso também desperta uma reflexão sobre a estrutura dos cargos comissionados em diversos órgãos públicos. Esses cargos existem para atender funções de confiança previstas na legislação e são instrumentos legítimos da administração pública. Contudo, justamente por envolverem livre nomeação, exigem elevados padrões de transparência, controle e prestação de contas.
Sempre que surgem suspeitas de irregularidades, a resposta institucional deve ser firme, técnica e imparcial. O combate à corrupção não pode ter lado político, partido ou ideologia. Deve alcançar qualquer agente público que eventualmente tenha cometido irregularidades, caso estas sejam comprovadas.

Da mesma forma, os mecanismos internos de fiscalização, como corregedorias, controladorias, Ministérios Públicos, Tribunais de Contas e Conselhos de Ética, desempenham papel fundamental para preservar a confiança da população nas instituições democráticas.
A sociedade espera que todas as denúncias sejam investigadas com independência e que eventuais responsabilidades sejam apuradas conforme o devido processo legal. Se houver inocência, ela deve ser reconhecida. Se houver responsabilidade comprovada, a lei deve ser aplicada.

Mais do que um caso isolado, episódios como este reforçam a importância de fortalecer a transparência, o controle dos gastos públicos e a ética na administração, princípios indispensáveis para preservar a credibilidade das instituições e a confiança do cidadão.
Marcello Sampaio
Editor-Chefe – Tribuna da Cidade
