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POLÍTICA | DÍVIDAS E BASTIDORES ELEITORAIS

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Cristina Graeml acumula dívidas que ultrapassam R$ 1,3 milhão, muda de partidos e levanta dúvidas sobre coerência política no Paraná

Por Marcello Sampaio | Tribuna da Cidade

A trajetória recente da ex-candidata à Prefeitura de Curitiba, Cristina Graeml, vem sendo marcada não apenas por sua atuação política, mas também por um cenário jurídico e financeiro cada vez mais delicado. Levantamentos com base em documentos da Justiça Eleitoral e processos em andamento indicam que o conjunto de multas e execuções relacionadas ao período eleitoral já ultrapassa a marca de R$ 1,3 milhão, considerando a soma de todos os processos, valores atualizados, encargos e desdobramentos judiciais.

Parte dessas penalidades, já detalhadas anteriormente, soma cerca de R$ 200 mil em multas diretamente executadas, com decisões que incluem bloqueio de valores via SISBAJUD, conversão em penhora e negativa de parcelamento. No entanto, o conjunto mais amplo de processos, incluindo outras ações, execuções e encargos, eleva significativamente o passivo, colocando a ex-candidata em uma situação de alta pressão judicial e financeira.

Enquanto enfrenta esse cenário, Cristina também protagoniza uma movimentação política intensa e, para muitos, contraditória. Após deixar o antigo PMB, atualmente denominado Democrata, a então pré-candidata passou a percorrer o Paraná com discurso firme de que disputaria o Senado Federal. Nesse período, realizou viagens pelo estado inicialmente com apoio de estruturas vinculadas ao Podemos. Posteriormente, deixou a legenda e passou a circular politicamente com apoio de grupos ligados ao União Brasil, mantendo ainda o discurso de candidatura ao Senado.

Durante toda essa fase, Cristina afirmou de forma categórica que não abriria mão da disputa majoritária, declarando publicamente que não seria candidata a deputada estadual ou federal, reforçando que sua missão era o Senado, ainda que reconhecesse as dificuldades de vitória, mas destacando que “barulho iria fazer” no cenário político paranaense.

No entanto, o cenário mudou de forma abrupta. No dia 1º de abril — data simbólica conhecida como o “dia da mentira” — Cristina Graeml oficializou sua filiação ao PSD, partido liderado pelo governador Ratinho Junior e que conta com a presença de Eduardo Pimentel, figura política que foi alvo de duras críticas da própria Cristina durante a campanha eleitoral de 2024. A mudança de posicionamento chamou atenção nos bastidores políticos, principalmente pelo contraste entre o discurso anterior e a nova aliança.

A guinada política levanta questionamentos inevitáveis sobre coerência, estratégia e credibilidade. A mesma candidata que afirmou não abrir mão de sua “farda” política rumo ao Senado agora recua da disputa e passa a integrar um grupo político que antes combatia publicamente. Para analistas, o movimento evidencia o quanto a política, muitas vezes, funciona como um jogo de xadrez — ou até de truco — onde alianças e discursos podem mudar conforme o cenário.

Nos bastidores, cresce a especulação de que Cristina Graeml pode surgir futuramente como nome para compor chapa majoritária, inclusive como possível candidata à vice-governadoria do Paraná em um cenário que ainda está em construção. Há quem aponte, inclusive, uma eventual composição com nomes de peso, como o senador Sergio Moro, diante da indefinição do próprio grupo governista sobre os rumos eleitorais.

O fato é que o cenário político no Paraná segue em aberto. Até o momento, os nomes testados pelo governo ainda não se consolidaram plenamente, enquanto outros grupos e lideranças começam a se movimentar nos bastidores, prometendo apresentar alternativas até meados do calendário eleitoral. A disputa tende a se intensificar nos próximos meses, com novas alianças, rupturas e reposicionamentos.

Paralelamente, o peso das dívidas eleitorais permanece como um fator determinante. Caso não haja regularização, os processos podem avançar ainda mais, com novas penhoras, bloqueios e restrições que podem impactar diretamente qualquer projeto político futuro. Ainda que não configure inelegibilidade automática, a falta de regularidade pode dificultar o registro de candidatura, especialmente pela necessidade de certidões negativas e pela pressão jurídica envolvida.

No fim das contas, o que se vê é um cenário de incerteza, tanto no campo jurídico quanto no político. A pergunta que fica é clara: qual será o próximo movimento? Em um ambiente onde alianças mudam rapidamente e o jogo político se redesenha a cada semana, uma coisa é certa — ainda há muita água para rolar.


A política exige coerência. E quando ela desaparece, sobra apenas oportunismo.

O caso de Cristina Graeml escancara uma realidade que o eleitor já começa a enxergar com mais clareza: a transformação da política em um campo de conveniências momentâneas, onde discursos são descartáveis e alianças são feitas conforme o vento sopra.

Não faz muito tempo, a própria Cristina percorreu o Paraná afirmando que não abriria mão de sua candidatura ao Senado. Disse que não seria deputada, não aceitaria outro papel e que sua missão era clara. Hoje, abandona o discurso, muda de partido e se aproxima exatamente daqueles que antes atacava com veemência.

A pergunta é inevitável: o que mudou? A convicção ou a conveniência?

A sucessão de mudanças partidárias, o uso de estruturas distintas para se projetar politicamente e o reposicionamento repentino revelam um comportamento que muitos já classificam como mercenário — não no sentido literal, mas no político: alguém que atua conforme o interesse do momento, e não por convicção ideológica.

E há um agravante: tudo isso acontece enquanto pendências milionárias se acumulam na Justiça Eleitoral. Dívidas que não são apenas números, mas reflexo de responsabilidades que não foram cumpridas.

O eleitor não é mais o mesmo. Ele observa, compara e cobra. E cada vez mais entende que política não pode ser apenas estratégia — precisa ser compromisso.

Porque no fim, quem paga o preço dessas manobras não são os políticos.

É o povo.


Marcello Sampaio
Direto da Redação — Tribuna da Cidade

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