Rompimento, críticas e contradições: até onde vai a coerência na política paranaense?

Por Marcello Sampaio | Direto da Redação – Tribuna da Cidade
O cenário político do Paraná voltou a esquentar após declarações contundentes do deputado estadual Delegado Jacovós (PL), que, em entrevista ao vivo ao programa CBN 360, fez duras críticas ao governador Ratinho Junior (PSD), de quem, até pouco tempo, era aliado político.
Durante a entrevista, o parlamentar chegou a chamar o governador de “moleque” e afirmou que prepara um pronunciamento na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que, segundo ele, “vai acabar com a República de Jandaia”, em referência à cidade ligada à origem familiar do chefe do Executivo estadual.
As declarações marcaram publicamente um rompimento político e pessoal, que, segundo Jacovós, teria sido motivado pelo não cumprimento de acordos políticos firmados no contexto das eleições municipais de 2024.
No entanto, o episódio levanta questionamentos importantes nos bastidores.
Analistas políticos observam que, ao contrário do que é alegado, o cenário eleitoral de Curitiba em 2024 manteve pontes entre diferentes grupos, incluindo a presença do PL na composição vitoriosa, o que relativiza a narrativa de um rompimento total entre as forças políticas envolvidas naquele momento.
Outro ponto que chama atenção é a mudança de postura do deputado ao longo do tempo. Registros públicos e manifestações recentes nas redes sociais indicam uma atuação anterior alinhada ao governo estadual, com declarações positivas e defesa de pautas da gestão.
Agora, com o novo posicionamento, surgem dúvidas sobre os reais motivos da mudança de discurso.
Além das críticas políticas, Jacovós também levantou questionamentos sobre contratos na área de segurança pública e criticou o modelo de pedágio “Free Flow”, ampliando o tom de enfrentamento ao governo.
Nos bastidores, porém, a leitura é de que o movimento pode estar inserido em um contexto maior de reposicionamento político, especialmente diante das articulações para as eleições de 2026.
Com alianças sendo redesenhadas e pré-candidaturas ganhando forma, mudanças de discurso não são incomuns — mas passam a ser observadas com mais atenção pelo eleitor.

A política é dinâmica. Alianças mudam, estratégias são redesenhadas e posições são revistas. Isso faz parte do jogo democrático.
Mas há um limite.
Quando a mudança de posicionamento deixa de ser estratégica e passa a parecer contraditória, o que entra em jogo é a credibilidade.
O eleitor de hoje não é mais o mesmo de anos atrás. Ele acompanha, registra, compara e cobra.
Declarações fortes, rompimentos públicos e discursos inflamados podem gerar impacto imediato — mas também levantam questionamentos inevitáveis: o que mudou de fato? E por quê?
A coerência, ainda que não absoluta, é um dos pilares da confiança política.
Criticar hoje aquilo que ontem era defendido exige explicação clara, consistente e, acima de tudo, respeito à inteligência do eleitor.
O Paraná vive um momento de reconfiguração política, com novos caminhos sendo traçados e lideranças buscando espaço. Nesse cenário, mais do que discursos, o que fará diferença será a consistência entre fala e prática.
Porque, no fim, a pergunta que permanece é simples:
Trata-se de mudança legítima… ou conveniência política?
E essa resposta, cada vez mais, não é dada nos bastidores — mas nas urnas.








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