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EXCLUSIVO | TRIBUNA DA CIDADE — SUSPEITO DE CRIAR FALSO ÓRGÃO FEDERAL PARA APLICAR GOLPES É PRESO NO PARANÁ

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PorMarcello Sampaio – Redação | Tribuna da Cidade

A Tribuna da Cidade, que já vinha denunciando anteriormente as irregularidades envolvendo o nome de Evandro Dal Molin, confirma agora um desdobramento decisivo no caso: o suspeito foi preso nesta sexta-feira (17), em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, acusado de liderar um esquema fraudulento que utilizava uma falsa estrutura governamental para aplicar golpes em empresários, organizações não governamentais, prefeituras e câmaras municipais.

De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, Dal Molin se apresentava como presidente de um suposto órgão denominado “Marco da Criança e do Adolescente”, alegando vínculo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. No entanto, conforme apuração oficial, o órgão nunca existiu, tampouco há qualquer relação institucional ou funcional do investigado com o governo federal.

Para sustentar a fraude e dar aparência de legitimidade, o suspeito utilizava estratégias sofisticadas de manipulação de imagem, divulgando fotografias em ambientes oficiais como o Congresso Nacional, câmaras municipais e eventos públicos ao lado de autoridades. As imagens eram utilizadas fora de contexto, criando a falsa impressão de que ocupava posição institucional relevante no cenário político nacional.

As autoridades apontam que o investigado se aproveitava dessas conexões aparentes para conquistar credibilidade e, a partir disso, oferecer facilidades inexistentes, como a liberação de recursos públicos para entidades e projetos sociais. Em diversos casos, segundo relatos colhidos pela polícia, valores foram prometidos, mas nunca chegaram às vítimas.

Além disso, Dal Molin promovia ações simbólicas, como a concessão de títulos fictícios de “Prefeito Amigo da Criança”, fortalecendo sua imagem pública e ampliando sua rede de contatos políticos, o que facilitava a continuidade das fraudes.

As investigações indicam que o esquema vinha sendo praticado desde pelo menos 2020, alcançando diversas cidades do Paraná e até outros estados. Até o momento, cinco vítimas foram formalmente ouvidas, com prejuízos estimados em aproximadamente R$ 350 mil, embora a polícia acredite que o número de pessoas lesadas seja significativamente maior.

Entre os golpes identificados, estão falsas promessas de repasse de verbas para eventos sociais e propostas fraudulentas de investimentos, como a suposta aquisição de veículos que seriam alugados ao Governo Federal, garantindo retorno financeiro mensal — proposta que também se revelou inexistente.

Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou, além da prisão preventiva, o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens do investigado. Ele é alvo de apuração pelos crimes de estelionato, falsificação de documentos, usurpação de função pública e possível lavagem de dinheiro.

Durante o interrogatório, o suspeito optou por permanecer em silêncio. Sua defesa informou que ainda não teve acesso completo ao processo e, por isso, não se manifestaria neste momento.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania confirmou que não há qualquer vínculo com o investigado e ressaltou que não existe, em sua estrutura, órgão ou programa com a denominação utilizada por ele. Após identificar o uso indevido de sua identidade institucional, o ministério acionou a Advocacia-Geral da União, que solicitou a remoção de conteúdos que utilizavam indevidamente símbolos oficiais da República.


O caso envolvendo Evandro Dal Molin revela muito mais do que um simples golpe. Ele expõe uma fragilidade preocupante no sistema de validação institucional e na forma como a imagem pública pode ser manipulada para enganar pessoas, instituições e até autoridades.

A construção de uma falsa autoridade, baseada em símbolos oficiais, presença em ambientes políticos e discursos alinhados ao interesse público, mostra o quanto a aparência ainda exerce forte influência sobre a percepção de legitimidade. E é justamente nesse ponto que a informação verdadeira se torna essencial.

A Tribuna da Cidade, ao antecipar e denunciar indícios desse esquema, reafirma o papel fundamental do jornalismo investigativo: questionar, verificar e expor aquilo que muitos preferem ignorar. Em tempos de excesso de informação e narrativas fabricadas, a verdade exige vigilância constante.

Mais do que a prisão de um suspeito, este caso serve como alerta. A sociedade precisa estar atenta, as instituições devem reforçar seus mecanismos de controle e a imprensa precisa continuar exercendo sua função com independência e responsabilidade.

Porque quando a mentira se veste de autoridade, a verdade precisa falar mais alto.


NOVAS ATUALIZAÇÕES NAS PRÓXIMAS HORAS

A Tribuna da Cidade segue acompanhando o caso de perto e trará novas informações a qualquer momento sobre o avanço das investigações, possíveis novos envolvidos e o desdobramento judicial da operação.

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