
Por Darwin T. Shiwaku
A sociedade sempre influenciou o comportamento e a aparência de cada indivíduo. Afinal, essas características nos conferem o senso de pertencimento ao grupo em que vivemos. Na Idade Média, o padrão estético a ser almejado era possuir uma boa reserva de gordura, pois a comida era escassa e restrita à elite.
No entanto, com o desenvolvimento econômico e tecnológico — e com a superação das previsões da teoria malthusiana — houve uma democratização do acesso aos alimentos para bilhões de pessoas. Nesse contexto, surgiu um novo padrão estético, no qual ser magro passou a ser o novo ideal social.
Diante disso, novas drogas vêm sendo lançadas e se tornando tendência entre pessoas de diferentes classes sociais. Isso ocorre, em parte, porque hoje a obesidade é reconhecida como doença — o que, de fato, se aplica a diversos casos. Como consequência, o lucro e a valorização das ações das empresas desenvolvedoras dessas medicações têm alcançado níveis estratosféricos, consolidando um importante nicho na indústria farmacêutica.
Porém, como em tudo na medicina, é necessário tempo para compreendermos plenamente o impacto do uso de determinadas substâncias. Atualmente, conhecemos apenas sua relativa segurança a curto prazo, bem como alguns efeitos adversos potencialmente graves.
Quando voltamos o olhar para a saúde masculina — que é minha área de atuação — nos deparamos com uma verdadeira epidemia. A tendência do momento é projetar uma falsa virilidade, muitas vezes inflacionada pelo uso de anabolizantes. Quero deixar claro que não sou contra a reposição hormonal; no entanto, ela possui indicações precisas, além de riscos e efeitos adversos inerentes ao tratamento.

Fica evidente que o novo padrão de “normalidade” a ser atingido não é fisiológico. Ao compararmos fotos de homens das décadas de 1960 com as atuais, qualquer pessoa com o mínimo senso crítico pode perceber que, apesar da evolução das técnicas de treinamento de musculação, é impossível atingir naturalmente os níveis de desenvolvimento muscular que hoje são frequentemente exaltados como ideais de beleza.
Recentemente, atendi um jovem paciente de porte atlético com queixa de disfunção sexual, que inicialmente negava o uso de anabolizantes. Após nova abordagem, motivada pela constatação de uma importante diminuição bilateral do volume testicular, ele admitiu o uso sem acompanhamento médico. O que mais me surpreendeu, porém, foi sua indiferença diante da atrofia testicular — afirmou não se importar, pois não desejava ter filhos e valorizava apenas os resultados estéticos. Vivemos uma época em que aspectos fundamentais da saúde reprodutiva têm sido negligenciados.
Existem diversas vantagens na reposição hormonal em pacientes bem indicados, considerando idade, queixas e patologias específicas. São inegáveis os benefícios relacionados à disposição, ao humor, à vida sexual e à redução de eventos como osteoporose e fraturas, entre outros.
Diante disso, é urgente uma revisão dos padrões que a sociedade estabelece como aceitáveis para o corpo humano. Precisamos alinhar esses ideais ao bem-estar físico e à saúde, para que possamos alcançar a tão desejada longevidade com qualidade de vida.








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