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FIM DO FERRY BOAT EM GUARATUBA MARCA NOVA ERA COM COMPLEXO NÁUTICO DE R$ 100 MILHÕES

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O tradicional sistema de travessia por ferry boat em Guaratuba, responsável por conectar a cidade ao município vizinho por mais de 60 anos, está com os dias contados. A estrutura, que por décadas foi essencial para o deslocamento de moradores, turistas e transporte de cargas, será desativada gradualmente para dar lugar a um moderno complexo náutico, dentro de um amplo projeto de revitalização urbana e desenvolvimento econômico do litoral paranaense.

A mudança ocorre em meio ao avanço das obras da nova ponte de Guaratuba, considerada uma das maiores intervenções de infraestrutura do estado. Com a futura conclusão da ligação fixa entre os municípios, o espaço hoje ocupado pelo ferry boat ganhará uma nova função estratégica, voltada ao turismo, lazer e serviços, ampliando significativamente o potencial econômico da região. O projeto prevê um investimento estimado em R$ 100 milhões e será viabilizado por meio de concessão à iniciativa privada, consolidando um novo modelo de ocupação urbana para a área.

A proposta, que vem sendo estruturada pela Secretaria de Estado do Planejamento (Sepl) há cerca de seis meses, contempla a construção de um complexo com aproximadamente 12 mil metros quadrados de área edificada, inserido em um terreno superior a 30 mil metros quadrados. Grande parte do espaço será destinada ao uso público, com foco na integração entre infraestrutura moderna e convivência social. O destaque do projeto é a implantação de uma marina de grande porte, que contará com 303 vagas molhadas para embarcações na baía e outras 400 vagas secas para armazenamento interno, atendendo a uma demanda crescente por infraestrutura náutica no litoral paranaense.

Além da marina, o complexo contará com estacionamento para 208 veículos, áreas de lazer, espaços de convivência, restaurantes, lojas e estrutura para realização de eventos, criando um ambiente multifuncional capaz de atrair visitantes durante todo o ano. A proposta também inclui a construção de uma orla pública com ciclovias, pistas de caminhada, espaço pet e áreas abertas de uso coletivo, garantindo acesso democrático à população mesmo com a presença de empreendimentos privados no local.

O modelo adotado prevê a cessão do terreno à iniciativa privada, que ficará responsável pela execução das obras e pela manutenção do complexo ao longo de um contrato de concessão com duração de até 30 anos. A licitação será realizada na modalidade de concorrência pública, o que, segundo estudos técnicos, pode gerar uma economia de aproximadamente R$ 20 milhões para o Estado ao longo do período contratual, além de estimular a competitividade entre os investidores interessados. Após a conclusão do projeto, a gestão e fiscalização do contrato ficarão sob responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seil), uma vez que a área pertence ao Estado e é administrada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR).

Durante a fase de construção, a expectativa é de que o empreendimento gere cerca de 1.425 empregos diretos e indiretos, com impacto significativo na economia local, incluindo a injeção de aproximadamente R$ 100 milhões em salários. Já na fase operacional, a estimativa é de criação de 695 postos de trabalho, consolidando o complexo como um importante vetor de desenvolvimento regional. A iniciativa também busca reduzir a sazonalidade do turismo na cidade, promovendo atividades e movimentação econômica ao longo de todo o ano.

A desativação do ferry boat será realizada de forma gradual, garantindo uma transição segura entre os modelos de travessia. Inicialmente, a estrutura continuará operando normalmente até que o fluxo de veículos e passageiros esteja plenamente adaptado ao funcionamento da nova ponte. A proposta do governo estadual é evitar qualquer impacto negativo à mobilidade da população durante esse período de mudança, mantendo o serviço ativo até que a nova realidade esteja consolidada.

Paralelamente, está prevista uma requalificação completa das áreas atualmente ocupadas pelo sistema de travessia, tanto no lado de Guaratuba quanto no acesso por Matinhos. O objetivo é evitar o abandono desses espaços e transformá-los em pontos de convivência, lazer e desenvolvimento urbano. A proposta inclui, inclusive, a implantação de estruturas de apoio para serviços essenciais, como o Corpo de Bombeiros, além de áreas destinadas a pescadores e possibilidade de uso institucional por órgãos como a Marinha do Brasil.

O projeto também prevê a realização de eventos públicos e privados, ampliando o uso do espaço e fortalecendo a economia criativa local. Como bem público, o complexo manterá ampla área de circulação livre, reforçando o conceito de integração com a cidade e garantindo que a população continue tendo acesso ao local de forma democrática e permanente.

A iniciativa entra agora em uma nova fase, com a abertura de consulta pública e a realização de audiências em Guaratuba, permitindo que moradores, empresários e investidores contribuam com sugestões e ajustes antes da consolidação final do projeto. Esse processo participativo deverá ocorrer ao longo de 30 dias e será fundamental para aprimorar a proposta e alinhá-la às demandas da comunidade local.

Após essa etapa, o projeto ainda passará por trâmites legais, incluindo autorização legislativa e análise da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), até a publicação do edital de concessão, prevista para outubro de 2026. A expectativa é de que as obras tenham início a partir de 2027, com prazo de execução de até cinco anos, podendo ser reduzido conforme a eficiência da futura concessionária.

A transformação do espaço é vista com otimismo pela administração municipal de Guaratuba, que enxerga no projeto uma oportunidade de revitalizar uma área estratégica que perderia sua função original com a desativação do ferry boat. A expectativa é de que o novo complexo impulsione o turismo, fortaleça o comércio local e gere maior estabilidade econômica ao longo do ano, beneficiando diretamente moradores e empresários da região.


Créditos: Marcello Sampaio | Direto da Redação Tribuna da Cidade

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