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FALSO ÓRGÃO FEDERAL, PROMESSAS MILIONÁRIAS E SUSPEITAS DE EXTORSÃO

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PCPR prende Evandro Dal Molin e caso pode revelar um dos maiores esquemas de fraude do Paraná

Por Redação | Tribuna da Cidade
Créditos: Marcello Sampaio

A Polícia Civil do Paraná prendeu, nesta sexta-feira (17), Evandro Luiz Dal Molin, investigado por uma série de crimes envolvendo fraude, falsidade ideológica e possível estelionato em larga escala. A prisão ocorreu em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, após avanço das investigações que apontam um esquema sofisticado baseado na criação de uma entidade inexistente.

Segundo a apuração policial, o suspeito se apresentava como presidente do chamado “Marco da Criança e do Adolescente”, um suposto órgão federal que, na realidade, não possui qualquer vínculo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Para sustentar a fraude, Dal Molin utilizava materiais com o brasão da República e divulgava imagens em locais oficiais, como o Congresso Nacional e câmaras municipais, além de registros ao lado de autoridades.

O próprio ministério confirmou oficialmente que não existe qualquer relação com o investigado e reforçou que a entidade citada não integra sua estrutura institucional. Diante do uso indevido de símbolos oficiais, a Advocacia-Geral da União foi acionada e determinou a remoção de conteúdos, parte dos quais já foi retirada das redes sociais do suspeito.

As investigações indicam que Dal Molin utilizava esse cenário para ganhar credibilidade junto a empresários, representantes de organizações sociais e agentes públicos. Após estabelecer confiança, ele passava a oferecer supostos repasses de verbas públicas, investimentos e projetos institucionais que, na prática, nunca se concretizavam.

Até o momento, ao menos cinco vítimas já foram identificadas, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 350 mil. No entanto, a Polícia Civil não descarta que o número real de vítimas seja significativamente maior, considerando a amplitude das ações do investigado.

Levantamentos realizados pela Tribuna da Cidade apontam que o esquema pode ser ainda mais amplo. Além da falsa criação do “Marco da Criança”, Dal Molin também se apresentava como assessor do governador Ratinho Junior e afirmava ocupar posição de liderança em um suposto “Partido do Autista” no Paraná, legenda ainda em fase de formação e sem registro consolidado.

Outro ponto grave identificado é que o investigado se dizia influente junto a desembargadores no estado, alegando capacidade de intervir em decisões judiciais. Com esse discurso, ele teria procurado familiares de pessoas presas, oferecendo supostos serviços para facilitar processos e, segundo denúncias, obtendo valores em dinheiro dessas vítimas.

A reportagem da Tribuna da Cidade também apurou casos específicos que elevam o nível de gravidade das acusações. Um empresário de Araucária relatou prejuízo de R$ 60 mil, enquanto outro caso aponta para um valor ainda mais expressivo, de aproximadamente R$ 250 mil. Há indícios de que esses recursos foram obtidos sob promessas que nunca foram cumpridas.

Em Campo Largo, as suspeitas envolvendo Dal Molin começaram a ganhar força após levantamentos da Tribuna da Cidade, que identificaram inconsistências em sua atuação. O caso ganhou atenção após visitas a órgãos públicos, incluindo o Conselho Tutelar, onde foram feitas promessas de entrega de veículos que jamais se concretizaram.

As apurações também indicam a possível participação de terceiros no esquema. Um suposto assessor, morador de Campo Largo, frequentemente acompanhava Dal Molin em agendas públicas. Após questionamentos, ele teria apagado conteúdos de suas redes sociais, levantando suspeitas sobre possível envolvimento. Além disso, uma ex-candidata a cargos públicos no município também teria mantido contato com o grupo, mesmo após alertas prévios.

Outro elemento que chama atenção é a concessão de títulos simbólicos, como “Prefeito Amigo da Criança”, utilizados como estratégia para reforçar a credibilidade do investigado perante gestores públicos. Há relatos de homenagens realizadas em assembleias e eventos oficiais, o que pode ter levado autoridades ao erro.

O caso levanta questionamentos sobre a extensão real do esquema e o número de pessoas potencialmente lesadas. Especialistas apontam que crimes com esse perfil, baseados em construção de imagem institucional falsa, tendem a atingir diferentes setores simultaneamente.

Diante da prisão, a Polícia Civil segue aprofundando as investigações para identificar todos os envolvidos e mapear a dimensão completa da atuação do grupo. O suspeito foi encaminhado ao sistema penitenciário e permanece à disposição da Justiça.

Agora, uma série de perguntas permanece em aberto: quantas vítimas ainda podem surgir? Qual o real alcance desse esquema? E até que ponto as estruturas públicas e privadas foram utilizadas, ainda que involuntariamente, para dar sustentação à fraude?

O caso já começa a ser comparado, nos bastidores, a grandes episódios de estelionato no país, levantando a discussão sobre possíveis desdobramentos judiciais e o impacto que novas revelações podem trazer nos próximos dias.

A investigação continua.

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