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Os idosos que participam do Programa FeliCidade do Idoso vivenciam uma semana especial marcada pela arte, pela criatividade e pelo fortalecimento dos vínculos sociais. Nesta segunda-feira (30) e terça-feira (31), os participantes integram o Projeto “Primitivo”, que promove oficinas gratuitas de arte em Cascavel, ampliando o acesso da população idosa a atividades culturais de qualidade.
As oficinas são realizadas no espaço recreativo do programa, localizado no Parque Tarquínio, reunindo turmas de até 25 alunos em encontros com duração de três horas. Toda a estrutura é oferecida de forma gratuita, incluindo materiais e orientação especializada, garantindo que nenhum participante tenha custos para vivenciar a experiência artística.
A proposta do projeto é clara: democratizar o acesso à cultura, especialmente para pessoas que historicamente tiveram menos oportunidades nesse campo. Por meio das atividades, os idosos são incentivados a desenvolver a criatividade, explorar novas formas de expressão e fortalecer a autoestima, em um ambiente acolhedor e estimulante.
De acordo com o coordenador do Programa FeliCidade do Idoso, Ailton César Alves, a iniciativa vai além do entretenimento. Ela representa uma política pública efetiva de valorização da pessoa idosa, promovendo inclusão, aprendizado contínuo e qualidade de vida. A ação reforça a importância de iniciativas que ampliem o acesso à arte como instrumento de transformação social e bem-estar coletivo.
O Projeto Primitivo é coordenado pela artista Ela Soares e integra a programação educativa contemplada pelo Edital Multiartes da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) 2025. A iniciativa tem como missão expandir o alcance da arte e aproximar diferentes públicos das manifestações culturais.

Antes das oficinas, os participantes tiveram a oportunidade de visitar a exposição do artista plástico Abrão Hachicho, em cartaz no Museu de Arte de Cascavel. A experiência serviu como inspiração para as atividades práticas, permitindo que os idosos conectassem teoria e prática ao vivenciar técnicas artísticas baseadas nas obras expostas.
As oficinas são conduzidas pelo artista cascavelense Antônio Carlos Machado, que orienta os participantes na criação de carimbos artísticos aplicáveis em diferentes superfícies, como tecidos, sacolas e camisetas. Ao final do projeto, cada participante poderá levar seu próprio carimbo para casa, incentivando a continuidade da prática artística no dia a dia.
A exposição “Primitivo”, que já percorreu cidades como Ponta Grossa e Foz do Iguaçu, apresenta cerca de 70 obras e segue aberta ao público em Cascavel até o dia 2 de abril de 2026, com encerramento previsto em Curitiba. A mostra tem como essência o resgate das memórias afetivas e culturais, promovendo identificação e pertencimento entre os visitantes.
Para a coordenadora do projeto, Daniela Soares dos Santos, a arte exerce um papel profundo na construção da identidade e na valorização da trajetória de vida dos idosos. Segundo ela, cada obra representa um reencontro com experiências, sentimentos e histórias que moldaram a vida de cada participante, fortalecendo o sentimento de pertencimento e reconhecimento.
EDITORIAL | Investir na arte para idosos é investir em dignidade, saúde e pertencimento

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A iniciativa que leva arte aos idosos em Cascavel não é apenas uma ação cultural. Trata-se de uma política pública inteligente, sensível e necessária, que reconhece o valor da pessoa idosa e reafirma seu papel ativo na sociedade.
Em um país que ainda enfrenta desafios no cuidado com a população da terceira idade, projetos como o Primitivo surgem como exemplos concretos de como é possível transformar realidades por meio da cultura. A arte, nesse contexto, deixa de ser apenas expressão estética e passa a ser ferramenta de inclusão, saúde emocional e resgate da autoestima.
É preciso compreender que envelhecer com qualidade vai muito além do acesso à saúde básica. Envolve pertencimento, estímulo intelectual, convivência social e oportunidades de expressão. Quando o poder público investe em iniciativas que proporcionam tudo isso de forma gratuita e acessível, está, na prática, promovendo dignidade.
O impacto dessas ações é profundo. Idosos que participam de atividades culturais tendem a apresentar melhor saúde mental, maior interação social e um sentimento renovado de utilidade e reconhecimento. São ganhos que não aparecem apenas em números, mas na forma como essas pessoas passam a enxergar a si mesmas e o mundo ao seu redor.
Cascavel acerta ao apostar nesse modelo. Ao integrar cultura, educação e inclusão social, o município demonstra que políticas públicas eficazes são aquelas que olham para o ser humano em sua totalidade. E nesse cenário, a arte se revela como um dos caminhos mais poderosos para conectar passado, presente e futuro.
Valorizar o idoso é valorizar a história. E iniciativas como essa mostram que ainda há espaço para construir uma sociedade mais justa, mais sensível e, sobretudo, mais humana.
Créditos: Marcello Sampaio | Tribuna da Cidade








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