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RICARDO ARRUDA REBATE CRISE NO PL E DIZ QUE PERMANECE NO PARTIDO: “ERRO FOI DO GOVERNADOR”

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Créditos: Marcello Sampaio

O cenário político do Paraná segue em ebulição, e o Partido Liberal (PL) se tornou o epicentro das tensões após a reconfiguração do tabuleiro eleitoral para 2026. Em meio a especulações sobre possíveis saídas de lideranças da sigla, o deputado estadual Ricardo Arruda se manifestou e afirmou que permanecerá no partido.

Em contato com a reportagem da Tribuna da Cidade, o parlamentar, alinhado ao campo bolsonarista, foi direto ao comentar o momento interno da legenda. Segundo ele, não há motivo para deixar o PL e o partido segue estruturado. “Estou no PL e vou permanecer. O partido está bem organizado”, afirmou.

Arruda também rebateu críticas e apontou responsabilidade no atual cenário ao governador Ratinho Junior. De acordo com o deputado, houve quebra de um acordo político anterior envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e o grupo do PL no Paraná.

Segundo relato do parlamentar, o PL teria priorizado o nome de Ratinho Junior para ser o principal palanque no estado, especialmente dentro de uma articulação que envolveria o senador Flávio Bolsonaro. No entanto, durante reuniões decisivas, o governador teria sinalizado intenção de disputar a Presidência da República, alterando completamente o planejamento político.

“Quando o PL chamou o governador Ratinho, ele tinha prioridade. Seria o palanque do Flávio no Paraná, conforme acordo antigo. Mas no momento da reunião ele disse que seria candidato. Diante disso, o senador Rogério Marinho, junto com Flávio Bolsonaro, tiveram que colocar o Sergio Moro no lugar”, relatou Arruda.

Ainda segundo o deputado, quando Ratinho Junior voltou atrás em sua posição, o cenário já estava consolidado dentro do partido. “Quando ele recuou, já era tarde demais”, completou.

O parlamentar também comentou os bastidores da saída do deputado federal Giacobo do PL. De acordo com Arruda, houve divergência direta com a direção nacional da legenda. “O Giacobo não concordou com os encaminhamentos, acabou discutindo com o Valdemar e foi expulso do partido”, afirmou.

Apesar do clima de tensão, Ricardo Arruda reforçou que segue atuando politicamente dentro da sigla, com projetos voltados ao Paraná e alinhamento com lideranças nacionais, incluindo o deputado federal Felipe Barros.

Nos bastidores, no entanto, o cenário é de movimentação. Outros deputados e prefeitos do PL no Paraná devem se pronunciar nas próximas horas, em meio à reorganização política que atinge diretamente a base municipal da legenda.

O partido conta atualmente com 52 prefeitos no estado, formando uma estrutura significativa, especialmente no interior. Ainda assim, já há sinais de possíveis mudanças. Um dos nomes que surgem nesse contexto é o do prefeito de Araucária, Gustavo Botogoski, que, segundo informações de bastidores, avalia deixar o PL e pode migrar para o PSD ou para o PP.

O movimento, se confirmado, pode abrir espaço para uma reconfiguração mais ampla dentro do partido no Paraná.


Créditos: Marcello Sampaio

O que está acontecendo dentro do PL no Paraná não é apenas um ajuste político — é uma disputa clara por controle, narrativa e poder.

A fala de Ricardo Arruda escancara algo que já era percebido nos bastidores: há uma divisão de versões sobre quem, de fato, provocou o atual cenário. De um lado, a leitura de que a entrada de Sergio Moro reorganizou o partido. Do outro, a acusação de que o erro estratégico partiu do próprio governador Ratinho Junior.

Mas, acima das versões, existe um fato incontestável: o PL deixou de ser um partido de acomodação e passou a ser um partido de definição.

Quem está dentro, precisa escolher lado.
Quem não escolher, pode ficar pelo caminho.

E é justamente isso que começa a acontecer.

Prefeitos começam a se movimentar. Deputados testam discursos. Lideranças avaliam riscos. O caso de Gustavo Botogoski é apenas um exemplo de um movimento que pode se ampliar nas próximas semanas.

O partido tem força — 52 prefeitos não são detalhe. Mas força sem unidade vira fragilidade.

O PL agora enfrenta seu maior teste no Paraná:

manter sua base unida em torno de um projeto
ou
assistir sua estrutura se fragmentar diante de interesses divergentes

A política não perdoa indecisão.

E neste momento, mais do que nunca, o PL precisa decidir se será um partido de projeto… ou apenas de circunstância.

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