
Vereador expulso por processo de estupro de vulnerável e investigação que cita prefeito de Araucária expõem casos ainda sem julgamento
Um caso que envolve acusações graves de crimes sexuais, suspeitas de pressão sobre vítima e desdobramentos políticos ganhou repercussão no Paraná e expõe dois personagens da política de Araucária em lados distintos de investigações que ainda não tiveram julgamento definitivo.
De um lado está Gilmar Lisboa, vereador do município que foi expulso do Partido dos Trabalhadores (PT) após vir a público a existência de um processo que tramita em segredo de Justiça envolvendo acusação de estupro de vulnerável. A decisão de expulsão foi tomada pelo diretório estadual da sigla, que afirmou, em nota, reforçar seu compromisso com o combate à violência contra mulheres e crianças.
Do outro lado aparece Gustavo Botogoski, prefeito de Araucária, citado em documentos de um processo judicial que tramita na Vara Criminal da comarca de Joaquim Távora, no Norte Pioneiro do Paraná. O caso investiga uma suspeita de abuso sexual contra uma adolescente e possíveis tentativas de interferência ou pressão sobre a vítima durante a investigação.
Investigação no Norte Pioneiro
O processo teve origem em 2019, após o registro de um boletim de ocorrência relatando suspeita de abuso sexual contra uma adolescente de 14 anos. A partir da denúncia, foi instaurado inquérito policial para apurar possível crime previsto no artigo 217-A do Código Penal — estupro de vulnerável.
Durante a investigação, a adolescente foi submetida a exame médico legal, que não encontrou vestígios de conjunção carnal. Especialistas apontam, porém, que a ausência de marcas físicas não descarta automaticamente a ocorrência de abuso, especialmente quando há intervalo entre o fato e a perícia.
Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi a mudança de versão da adolescente poucos dias após o registro da denúncia. Segundo depoimento da avó da jovem, ela passou a afirmar que o episódio teria sido inventado.
Anos depois, durante acompanhamento institucional, a adolescente teria feito uma nova declaração a uma conselheira tutelar dizendo:
“O fato aconteceu, mas eu não lembro direito.”
Telefonema levantou suspeita de pressão
Um dos episódios que reacenderam a preocupação das autoridades ocorreu em 2023, quando a jovem já estava acolhida em uma Casa-Lar sob acompanhamento da assistência social.
De acordo com relatório da Secretaria Municipal de Assistência Social de Joaquim Távora, uma ligação telefônica recebida pela adolescente teria sido feita por uma pessoa ligada ao caso investigado.
Segundo o documento, durante a conversa teria havido pedido para que a jovem tentasse convencer a avó a retirar a acusação registrada anteriormente.
O relatório ainda aponta que o interlocutor teria pedido para que a ligação não fosse comentada com outras pessoas, o que foi considerado preocupante pela equipe técnica responsável pelo acompanhamento da adolescente.
Medida judicial para proteger a vítima
Diante da situação, o Ministério Público do Paraná solicitou ao Judiciário medidas protetivas e cautelares para garantir que o processo seguisse sem qualquer tipo de interferência externa.
Entre as medidas adotadas está a restrição de contato com a vítima, especialmente antes da realização do depoimento especial, procedimento previsto na legislação para proteger crianças e adolescentes durante investigações de violência sexual.
Dois casos, um ponto em comum
Embora os casos tenham naturezas distintas, ambos colocam em evidência investigações envolvendo crimes graves e figuras da política local, ainda sem decisão judicial definitiva.
De um lado, um vereador expulso do partido após vir à tona um processo por estupro de vulnerável.
De outro, um prefeito citado em investigação que analisa possíveis tentativas de influência sobre o depoimento de uma vítima.
Enquanto a Justiça analisa as provas e os pedidos do Ministério Público, os dois episódios seguem sem julgamento final, levantando uma pergunta que ecoa no debate público:
Afinal, onde está a verdade?








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