
Créditos: Marcello Sampaio
Os bastidores da política paranaense seguem em intensa movimentação, e um dos próximos capítulos pode envolver diretamente o prefeito Gustavo Botogoski. Tudo indica que o chefe do Executivo municipal deve deixar o PL e migrar para o PSD, em um movimento estratégico alinhado ao governador Ratinho Junior.
A possível mudança deve ser confirmada em reunião marcada para a manhã desta quinta-feira, 26 de março, em Curitiba. O encontro reunirá prefeitos de diversas cidades do Paraná que mantêm alinhamento político com o governador, mas que atualmente estão em partidos que, por conta do novo cenário eleitoral, tendem a se tornar incompatíveis com o projeto político estadual.
O fator determinante dessa reorganização é a filiação do senador Sérgio Moro ao PL. A entrada de Moro na legenda redesenhou completamente o tabuleiro político no estado, já que ele desponta como candidato ao Governo do Paraná. Com isso, o PL passa a exigir alinhamento total de seus filiados, especialmente prefeitos, o que inviabiliza o apoio a qualquer outro nome fora da sigla.
Diante desse cenário, Ratinho Junior intensifica a estratégia de consolidar sua base em partidos sob sua influência direta, sendo o PSD o principal deles. A movimentação visa garantir sustentação política para a escolha e viabilização de seu sucessor ao Palácio Iguaçu nas eleições de 2026.
Gustavo Botogoski, que historicamente mantém alinhamento com o governador, já sinalizou internamente que seu compromisso político permanece firme com o grupo de Ratinho Junior. O prefeito, inclusive, teria reforçado ao governador que seguirá apoiando o candidato indicado por ele, independentemente das mudanças partidárias necessárias.
Outro fator que reforça a tendência de saída do PL é o movimento do deputado federal Giacobo, que também deixou a legenda após a chegada de Moro. Gustavo possui compromisso político com a reeleição do parlamentar, reconhecido como um dos principais responsáveis pelo envio de recursos e emendas para o município.
Com isso, a possível migração para o PSD não apenas mantém a coerência política do prefeito, como também preserva alianças estratégicas fundamentais para a continuidade de investimentos na cidade.
EDITORIAL — PARTIDO NÃO É CORRENTE: GUSTAVO NÃO DEVE SER REFÉM DE SIGLA
Créditos: Marcello Sampaio
A política vive, mais uma vez, um momento de realinhamento — e isso escancara uma verdade que muitos ainda insistem em ignorar: partido político não pode ser tratado como prisão ideológica.
O caso do prefeito Gustavo Botogoski é emblemático. Diante de um cenário alterado por decisões nacionais, como a filiação de Sérgio Moro ao PL, cria-se uma pressão artificial para que lideranças locais escolham lados que nem sempre refletem seus compromissos reais com a população.
Mas é preciso deixar claro: Gustavo não pertence a partido — pertence ao mandato que exerce e à população que o elegeu.
Se a permanência no PL compromete seu alinhamento político com o Governo do Estado, sua capacidade de articulação ou até mesmo a chegada de recursos para o município, então a mudança de partido deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade administrativa e estratégica.
E mais: Gustavo pode, sim, ir para qualquer partido. Ou, se necessário, pode inclusive ficar sem legenda temporariamente até que o cenário esteja mais claro. O que não pode é ficar engessado por uma sigla que já não representa seu projeto político.
A política exige pragmatismo, leitura de cenário e, acima de tudo, compromisso com resultados. Fidelidade partidária não pode ser maior do que a responsabilidade com a cidade.
No fim das contas, o eleitor não cobra sigla — cobra entrega.
E é isso que deve nortear qualquer decisão.








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