
Créditos: Marcello Sampaio
O cenário político do Paraná entrou em estado de ruptura após a confirmação de um movimento articulado por prefeitos do Partido Liberal (PL), que decidiram deixar a sigla diante da filiação do senador Sergio Moro, pré-candidato ao Governo do Estado. A decisão foi consolidada em reunião realizada na manhã desta quinta-feira (26), em Curitiba, reunindo dezenas de lideranças municipais que até então integravam a base do partido no estado.
De acordo com informações apuradas, ao menos 48 prefeitos participaram do encontro, enquanto outros não estiveram presentes por compromissos previamente agendados. O PL havia eleito 53 prefeitos no Paraná nas eleições de 2024, o que demonstra o impacto significativo do movimento e o risco concreto de esvaziamento da legenda no estado.
O grupo anunciou que pretende manter fidelidade política ao governador Ratinho Junior (PSD) e apoiar o nome indicado por ele para a sucessão estadual. Entre os prefeitos presentes estavam lideranças de cidades estratégicas, como Renato Silva, de Cascavel; Silva e Luna, de Foz do Iguaçu; Denilson Baitala, de Guarapuava; e Gustavo Botogoski, de Araucária — nomes que representam polos regionais de grande relevância eleitoral.
Nos bastidores, o clima é de forte insatisfação. O deputado federal Fernando Giacobo, um dos articuladores do movimento, não poupou críticas à entrada de Sergio Moro no partido, resgatando declarações do ex-juiz contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Giacobo, a presença de Moro no PL compromete a coerência política da legenda e rompe alianças históricas construídas no estado.
A avaliação entre os prefeitos é de que a decisão nacional de lançar Moro ao governo foi imposta “de cima para baixo”, sem diálogo com a base municipal. O prefeito de Assis Chateaubriand e presidente da AMP, Marcel Micheletto, expressou preocupação com o impacto da decisão, afirmando que o movimento pode provocar um racha na direita paranaense.
A lista de prefeitos que participaram do encontro evidencia a dimensão da crise interna. Entre eles estão Genezio Ferreira (Agudos do Sul), Diego Pergo (Altônia), Dr. Gustavo (Araucária), Marcel Micheletto (Assis Chateaubriand), Clevinho Poletto (Balsa Nova), Jaelson Matta (Bandeirantes), Fabrício Pastore (Bela Vista do Paraíso), Elisângela Pedroso (Carambeí), Renato Silva (Cascavel), Antonio Digner (Contenda), Álvaro Scolaro (Chopinzinho), Douglas Prado (Doutor Camargo), Lupatini (Enéas Marques), Silva e Luna (Foz do Iguaçu), Denilson Baitala (Guarapuava), Devair Fabris (Icaraíma), Douglas Modesto (Ipiranga), Orli de Cristo (Ivaí), Juca Sloboda (Jaguariaíva), Fabinho (Lobato), Rodrigo Schanoski (Maripá), Mario Paulek (Mariópolis), Jander Loss (Marmeleiro), Elaine Ferreira (Marumbi), Gabriel Cadini (Matelândia), Eduardo Dalmora (Matinhos), José Aparecido de Paula e Souza (Nova Aurora), Eduardo Pasquini (Nova Esperança), Pedro Lourenço (Nova Tebas), Roberto Rossi (Palmital), Geri Dutra (Pato Branco), Edsom Bagetti (Pérola D’Oeste), Marcos Lopes (Peabiru), Henrique Carneiro (Piraí do Sul), Valtinho (Porto Rico), Akio Abe (Quarto Centenário), Izilda Carro (Quatiguá), Alex Fernandes (Querência do Norte), Ailton Maistro (Rolândia), Claudio Covre (Santa Cecília do Pavão), Caetano (São Pedro do Paraná), Ana Ruth Mattesco (Sertanópolis), Dr. Gerso (Três Barras do Paraná), José Mariussi (Tupãssi) e Nei Sgobi (Vera Cruz do Oeste.
Enquanto isso, a direção estadual do PL, agora sob comando do deputado federal Filipe Barros, tenta conter a debandada. Em nota, afirmou que pretende dialogar com prefeitos, vereadores e lideranças para manter a unidade do partido. No entanto, o movimento já expõe uma divisão profunda que dificilmente será revertida a curto prazo.
Nos bastidores do governo estadual, a indefinição sobre o sucessor de Ratinho Junior amplia ainda mais o cenário de incerteza. Nomes como Alexandre Curi e Eduardo Pimentel surgem como possíveis candidatos, enquanto outras alternativas vão sendo descartadas por falta de viabilidade eleitoral.
EDITORIAL — O PL PERDEU O CONTROLE E O PARANÁ VIROU CAMPO DE BATALHA POLÍTICA

Créditos: Marcello Sampaio
O que aconteceu no Paraná não é um simples movimento partidário. É um terremoto político.
O PL, que até pouco tempo era visto como uma força organizada e alinhada, agora se mostra fragmentado, pressionado e sem comando claro. A entrada de Sergio Moro não unificou o partido — ao contrário, escancarou suas contradições.
Prefeitos não abandonam um partido por acaso. Prefeitos abandonam quando percebem que o projeto deixou de ser viável. E foi exatamente isso que aconteceu.
A base municipal, que deveria sustentar o partido, virou oposição interna.
O discurso de unidade virou disputa de narrativa.
O alinhamento virou imposição.
E a estratégia virou erro político.
A verdade é incômoda: o PL perdeu o timing e perdeu o controle.
Enquanto isso, Ratinho Junior observa e reorganiza seu tabuleiro. E faz isso com uma vantagem clara: tem a máquina, tem aprovação e agora pode herdar uma base que não quer mais permanecer onde está.
O mais grave não é a saída dos prefeitos.
É o que ela representa.
Falta de liderança
Falta de articulação
Falta de confiança
E na política, quando isso acontece… o colapso é só questão de tempo.
O Paraná hoje não vive uma eleição.
Vive uma disputa aberta por poder.
E quem não entender isso rápido…
vai ficar fora do jogo antes mesmo dele começar.








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