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O médico ortopedista e ex-vereador de Maringá, Carlos Eduardo Saboia (sem partido), procurou a imprensa para apresentar sua versão após a clínica em que atua, localizada na rua José de Alencar, ter sido alvo de mandado de busca e apreensão da Polícia Civil do Paraná na manhã desta quinta-feira (19).
A ação faz parte de uma investigação que apura um suposto esquema de emissão de laudos médicos irregulares, que estariam sendo utilizados para a obtenção de benefícios fiscais na compra de veículos por pessoas com deficiência, incluindo isenções de ICMS, IPI e IPVA. Além da clínica, mandados também foram cumpridos em uma residência e em um escritório de assessoria, todos em Maringá.
De acordo com o delegado Thiago Vicentini de Oliveira, a investigação aponta para a possível participação de profissionais da saúde e despachantes. Corretores fariam a captação de interessados e os encaminhariam até a clínica, onde seriam supostamente emitidos laudos de incapacidade com base no credenciamento ao Sistema Único de Saúde (SUS), requisito necessário para a concessão das isenções.
Saboia nega qualquer irregularidade e classifica a situação como um “grande mal-entendido”. Segundo ele, a clínica atua exclusivamente com atendimentos particulares e só emite laudos mediante comprovação clínica rigorosa, com exames que atestem a condição do paciente.
“Foi uma surpresa bastante desagradável, apesar de ter sido muito bem recebido pelos agentes. Eu nunca realizei emissão de laudos para pacientes do SUS. Minha clínica é privada, e todos os atendimentos seguem critérios técnicos. Se o paciente não apresenta a condição clínica necessária, ele é orientado de que não tem direito ao benefício”, afirmou o médico, destacando que aguarda a intimação para apresentar sua defesa formal.
Em entrevista recente concedida por telefone ao jornalista Marcello Sampaio, da Tribuna da Cidade, Saboia também revelou outro ponto que, segundo ele, causa estranheza no contexto da investigação. O médico relatou que sua clínica foi descredenciada após uma visita da Vigilância Sanitária do município, acompanhada por representantes do consórcio de saúde.
Segundo Saboia, o descredenciamento ocorreu mesmo com a clínica possuindo credenciamento nacional junto ao SUS. Ele afirmou ter procurado o secretário municipal responsável para buscar orientações sobre a regularização, mas teria sido informado de que não poderia retomar o atendimento direto, sendo necessário atuar como prestador terceirizado por não ter participado do processo de licitação das clínicas conveniadas.
Ainda de acordo com o médico, muitas das clínicas atualmente credenciadas não estão sediadas em Maringá, mas em cidades da região, como Cianorte, Marialva e Sarandi. Ele também questiona a estrutura de algumas dessas unidades, alegando que nem todas possuem os equipamentos adequados para determinados atendimentos.
Saboia afirma que vinha tentando o recredenciamento por meio de inexigibilidade, mas que está sem operar há vários meses, o que, em sua avaliação, torna ainda mais inesperada a operação policial realizada na clínica.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, e novas informações devem ser divulgadas conforme o andamento do inquérito.
Editorial
O episódio envolvendo a clínica do ex-vereador Carlos Eduardo Saboia levanta uma série de reflexões que vão além da investigação em si. Quando questões de saúde pública se cruzam com decisões administrativas e ações policiais, é inevitável que surjam dúvidas e questionamentos por parte da sociedade.
A alegação de descredenciamento, somada à dificuldade de reabilitação junto ao sistema público, e posteriormente à realização de uma operação policial, cria um cenário que, para muitos, pode sugerir um ambiente de tensão entre política, gestão pública e prestação de serviços de saúde.
É fundamental que todos os fatos sejam devidamente apurados, com transparência e respeito ao devido processo legal. Ao mesmo tempo, é papel das instituições garantir que não haja qualquer tipo de perseguição ou tratamento desigual, especialmente em áreas sensíveis como a saúde.
A confiança da população depende da clareza nas ações do poder público e da imparcialidade das investigações. Mais do que apontar culpados, o momento exige responsabilidade, equilíbrio e compromisso com a verdade.
Créditos: Tribuna da Cidade
Editorial: Marcello Sampaio








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