Por Marcello Sampaio
A disputa pelo Governo do Paraná nas eleições de 2026 começa a se desenhar nos bastidores da política estadual. Com o atual governador Ratinho Junior impedido constitucionalmente de disputar um terceiro mandato consecutivo, diversos grupos políticos iniciam movimentações estratégicas para ocupar o espaço na sucessão do Palácio Iguaçu. Lideranças partidárias, parlamentares e gestores municipais intensificam articulações em busca de alianças e consolidação de projetos eleitorais capazes de alcançar o eleitorado paranaense.
Segundo cenários de pesquisas eleitorais divulgados recentemente por institutos de opinião pública, alguns nomes já despontam com maior competitividade na disputa. O senador Sergio Moro, do União Brasil, aparece liderando os levantamentos iniciais, registrando intenções de voto que variam entre 37% e 41%. A vantagem inicial do senador se explica principalmente pelo forte reconhecimento de seu nome em todo o país, construído durante sua atuação como juiz federal na Operação Lava Jato e consolidado posteriormente com sua eleição ao Senado.
Na sequência aparecem nomes tradicionais da política paranaense. O ex-governador e ex-senador Alvaro Dias, do MDB, figura com índices que variam entre 17% e 19% das intenções de voto. Ao mesmo tempo, o deputado estadual Requião Filho, do PDT, também surge com números próximos, entre 16% e 19%, representando o campo político ligado ao legado do ex-governador Roberto Requião e buscando consolidar uma candidatura com perfil de centro-esquerda.
Outro nome que aparece nas simulações eleitorais é o do atual prefeito de Curitiba, Rafael Greca, agora filiado ao PP. Com três mandatos à frente da capital paranaense e ampla experiência administrativa, Greca surge nas pesquisas com índices entre 15% e 17% das intenções de voto, sendo visto por analistas como um candidato com forte potencial eleitoral principalmente na Região Metropolitana de Curitiba e em setores do eleitorado mais conservador.
Também figura entre os possíveis candidatos o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi, atualmente no Republicanos. Curi aparece nos levantamentos com índices entre 8% e 10% das intenções de voto. Reconhecido pela forte articulação política e pela ampla base de apoio entre prefeitos e lideranças municipais, ele pode se tornar um dos principais representantes do grupo político ligado ao atual governo estadual.
A eleição de 2026 no Paraná será fortemente influenciada pelo posicionamento do governador Ratinho Junior. Com índices elevados de aprovação popular, sua eventual decisão de apoiar um determinado candidato pode se tornar um fator decisivo na disputa eleitoral. Nos bastidores, analistas políticos avaliam que o apoio do governador poderá influenciar especialmente o eleitorado do interior do estado, onde a base governista possui forte capilaridade política.
As simulações de segundo turno também começam a ser discutidas nos ambientes políticos e acadêmicos. Entre os cenários considerados mais prováveis estão disputas diretas entre Sergio Moro e Rafael Greca, Sergio Moro e Alvaro Dias ou ainda Sergio Moro e Requião Filho. Em praticamente todos os cenários testados até o momento, o senador Moro aparece com vantagem, embora o quadro eleitoral ainda esteja longe de se consolidar, já que o processo político ainda está em fase inicial.
Especialistas em ciência política ressaltam que a eleição paranaense tende a ser marcada por uma fragmentação significativa do campo de centro-direita, já que diversos candidatos compartilham perfis eleitorais semelhantes. Essa divisão pode abrir espaço para disputas mais acirradas no primeiro turno e tornar o segundo turno ainda mais imprevisível.
Outro fator relevante é o papel das alianças partidárias. Mudanças de legenda, formação de federações partidárias e composições regionais ainda podem alterar significativamente o cenário atual. Lideranças políticas trabalham nos bastidores para construir chapas competitivas que incluam candidatos ao Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa, ampliando o alcance eleitoral das candidaturas ao governo.
Apesar de faltar ainda um período considerável até o início oficial da campanha eleitoral, a corrida pelo Governo do Paraná já se configura como uma das disputas estaduais mais estratégicas do país em 2026. Além de definir o comando político do estado pelos próximos quatro anos, a eleição também terá impacto direto na composição das forças políticas nacionais e no equilíbrio entre os diferentes campos ideológicos no cenário brasileiro.
Nos próximos meses, a tendência é que novas pesquisas eleitorais sejam divulgadas e que os partidos intensifiquem suas negociações internas, definindo candidaturas e alianças que poderão alterar significativamente o panorama da disputa pelo Palácio Iguaçu. Enquanto isso, o eleitorado paranaense acompanha atentamente os primeiros movimentos de uma corrida eleitoral que promete ser uma das mais disputadas da história política recente do estado.
Metodologia: 1.300 entrevistados pelo Paraná Pesquisas em 54 municípios do Paraná entre os dias 18 e 22 de janeiro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – Nacional. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,8 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-08451/2026.








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