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Araucária: cancelamento de coletiva da vice-prefeita levanta debate sobre concentração de poder na comunicação do município

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Uma nota oficial divulgada pela assessoria jurídica da vice-prefeita de Araucária, Tatiana Assuiti, provocou forte repercussão política e institucional no município da Região Metropolitana de Curitiba. O documento informa o cancelamento de uma coletiva de imprensa que seria realizada pela vice-prefeita, após determinação administrativa vinculada à Secretaria Municipal de Comunicação.

Segundo a nota, a agenda foi suspensa em razão da aplicação do Decreto Municipal nº 41.897/2025, que centraliza as atividades de comunicação, publicidade, jornalismo, cerimonial e eventos institucionais da administração municipal. Na prática, a interpretação administrativa da secretaria passou a exigir autorização prévia e organização centralizada para que autoridades municipais realizem atividades públicas de comunicação.

A decisão gerou forte desconforto nos bastidores políticos, pois a coletiva tinha como objetivo, segundo a própria vice-prefeita, prestar esclarecimentos públicos e dialogar diretamente com veículos de comunicação, algo considerado por sua equipe como parte natural do exercício do cargo e da transparência administrativa.

Cancelamento imposto pela Secretaria de Comunicação

De acordo com a nota assinada pelo advogado Raul Clei Coccaro Siqueira (OAB/PR 59327), o cancelamento não partiu da vice-prefeita, mas sim de uma determinação administrativa da Secretaria Municipal de Comunicação, que passou a condicionar agendas institucionais à autorização prévia da pasta.

Na prática, isso significaria que mesmo autoridades eleitas, como a vice-prefeita, dependeriam de autorização da comunicação oficial do município para falar com a imprensa em agendas institucionais.

Para aliados políticos e observadores locais, a situação levanta um debate delicado sobre limites administrativos e autonomia institucional dentro do próprio governo municipal.

Bastidores apontam tensão interna no governo

Nos bastidores da política de Araucária, o episódio passou a ser interpretado como um sinal de tensão interna dentro da estrutura do governo municipal. Fontes políticas afirmam que integrantes da administração avaliam que a Secretaria de Comunicação estaria ampliando excessivamente seu controle sobre a divulgação de agendas públicas e posicionamentos institucionais.

Críticos da medida afirmam que a postura do setor de comunicação, comandado por dirigentes da pasta, estaria interferindo diretamente na autonomia política de autoridades eleitas, como a vice-prefeita.

Para alguns analistas locais, a situação cria um cenário considerado inusitado: um governo alinhado ao campo político da direita enfrentando críticas internas sobre práticas consideradas centralizadoras na comunicação pública.

Vice-prefeita reafirma compromisso com transparência

No documento divulgado à imprensa, a vice-prefeita Tatiana Assuiti afirma que sua intenção com a coletiva era dialogar diretamente com jornalistas e prestar esclarecimentos à população.

Ela também reiterou compromisso com:

  • transparência administrativa
  • diálogo democrático
  • respeito ao trabalho da imprensa

A nota destaca ainda que a coletiva poderá ser realizada assim que houver condições administrativas para sua realização, indicando que a vice-prefeita mantém disposição para prestar esclarecimentos públicos.

Debate sobre liberdade de comunicação institucional

O episódio reacendeu em Araucária um debate recorrente na administração pública: até que ponto a centralização da comunicação institucional pode limitar o direito de autoridades públicas dialogarem diretamente com a imprensa e com a sociedade.

Especialistas em gestão pública apontam que estruturas de comunicação são importantes para organizar e padronizar a divulgação de informações oficiais, mas ressaltam que o modelo não pode resultar em restrição ao princípio da transparência ou à autonomia de agentes políticos eleitos.

Com a repercussão do caso, a expectativa agora é que o tema seja debatido tanto dentro do governo municipal quanto no meio político local, podendo inclusive gerar discussões na Câmara Municipal.


Redação / Reportagem: Marcello Sampaio

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