
A publicação dos Decretos nº 43.680/2026 e nº 43.600/2026 pela Prefeitura Municipal de Araucária, na última segunda-feira (23), provocou forte repercussão no cenário político do município de Araucária. Oficialmente, os atos determinam exonerações de servidores ocupantes de cargos comissionados, classificados como de livre nomeação e exoneração (“ad nutum”).
Ao todo, aproximadamente 60 servidores foram desligados de diferentes secretarias municipais, incluindo Obras Públicas, Trabalho e Emprego, Governo, Administração, Planejamento, Meio Ambiente, Finanças, Saúde, Assistência Social, Educação, Esporte e Lazer, Cultura e Procuradoria-Geral do Município.
Os decretos foram assinados pelo prefeito Gustavo Botogoski e pela secretária municipal de Gestão de Pessoas. O texto estabelece que os desligamentos entram em vigor na data da publicação.

Bastidores apontam tensão interna
Nos bastidores do Centro Administrativo, a movimentação é interpretada como mais do que uma simples reorganização administrativa. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que parte dos exonerados teria ligação direta com a vice-prefeita Tatiana Assuiti, incluindo integrantes de seu núcleo de assessoria.
Embora não haja anúncio oficial de rompimento, interlocutores políticos descrevem o episódio como um dos momentos de maior tensão interna já registrados na atual gestão. A possível reconfiguração de forças no Executivo também teria reflexo na base de apoio no Legislativo.
Câmara entra na equação
O clima político se intensificou após movimentações envolvendo a Câmara Municipal de Araucária. Informações de bastidor indicam que o presidente da Casa, Eduardo Castilhos, discutiu a manutenção de uma comissão instalada recentemente.
Aliados defendem que os atos seguem o regimento interno. Já opositores enxergam na movimentação uma tentativa de reorganização política diante do novo cenário administrativo.
Até o momento, não há decisão judicial ou posicionamento oficial do Ministério Público sobre os fatos.

Nomeações e articulações políticas
Entre agentes políticos locais, circula a hipótese de que as exonerações abram espaço para futuras nomeações indicadas por vereadores da base governista. Como os cargos comissionados são de livre nomeação, a legislação permite substituições, desde que respeitados os princípios da legalidade e moralidade administrativa.
Especialistas em gestão pública observam, contudo, que o uso desses cargos como instrumento de composição política pode gerar desgaste institucional, especialmente quando coincide com períodos de instabilidade interna.
A Prefeitura sustenta, segundo interlocutores, que as mudanças fazem parte de uma reestruturação para aprimorar a eficiência e equilibrar as contas públicas.
Comunicação sob questionamento
Também surgiram críticas envolvendo a atuação da Secretaria Municipal de Comunicação. Nas redes sociais, opositores da gestão levantaram suspeitas sobre eventual uso da estrutura pública para narrativas políticas. Não há, até o momento, qualquer comprovação formal ou investigação concluída sobre essas alegações.
Juristas ouvidos pela reportagem ressaltam que tanto o uso indevido da máquina pública quanto a disseminação intencional de informações falsas são passíveis de responsabilização, mas dependem de apuração oficial.

População divide opiniões
A reportagem ouviu moradores do município, que demonstram posições divergentes.
Entre os críticos, a avaliação é de que o momento revela mais disputa política do que planejamento administrativo. “Parece uma briga de poder. A cidade precisa de estabilidade”, afirmou uma servidora que preferiu não se identificar.
Já apoiadores defendem a prerrogativa do Executivo. “Cargo comissionado é de confiança. O prefeito precisa ter sua equipe”, avaliou um comerciante da região central.
O que pode acontecer
Analistas locais apontam três cenários possíveis para as próximas semanas: consolidação da base governista com novas nomeações; ampliação do embate entre Executivo e Legislativo; ou eventual judicialização, caso surjam questionamentos formais.
Independentemente do desfecho, o episódio marca um momento delicado na política de Araucária. O Executivo afirma agir dentro da legalidade administrativa. Setores da oposição falam em reconfiguração forçada de forças.
O tempo — e as próximas nomeações — dirão se se trata apenas de reorganização técnica ou de uma mudança estrutural na arquitetura política do município.

EXONERA 59 COMISSIONADOS E CRISE POLÍTICA VEM À TONA
Decretos nº 43.680/2026 e nº 43.600/2026 oficializam demissões em massa; bastidores indicam tensão entre prefeito, vice e Câmara
Por Marcello Sampaio, Amanda Fernandes, Ricardo Kovalski e Gisele Garcia
Araucária amanheceu sob forte impacto político após a publicação dos Decretos nº 43.680/2026 e nº 43.600/2026, que oficializam a exoneração de 59 servidores ocupantes de cargos comissionados da Prefeitura Municipal.
As demissões foram formalizadas em 23 de fevereiro de 2026 pela Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas.
Relação consolidada dos exonerados
(Mantendo a organização por secretaria conforme documento oficial)
Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP)
- Adenilson Desplanches
- Fabio Schultz Gomes
- Micheli Teixeira
Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego (SMTE)
- Adrina Aparecida Batista Ronco
- Caroline Helena Toesco Berger
- Felipe Raksa Garcia
- Gislene Pereira Francisco
- Jair Machado
- Nubia Paula dos Santos Souza
- Tatiana Mathos
- Everli de Jesus Ferreira
Secretaria Municipal de Governo (SMGO)
- Ana Claudia Mangi
- Edneia Diniz Iniesta
- Eduardo Schamne Barbosa
- Jose Ronaldo Batista
Secretaria Municipal de Administração e Gestão (SMAG)
- Bianca Maioky
- Cassiana Trauczynski Mendes Ferreira
- Diogo de Freitas
Secretaria Municipal de Planejamento (SMPL)
- Diogo Felipe Ramiro Fernandes
- Rosangela Vaz da Cruz
Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA)
- Edelvina Terezinha de Lima Macedo
- Jonatas de Costa Nogueira
- Luciano de Oliveira Daluz
Secretaria Municipal de Finanças (SMFI)
- Cristina de Souza Batista
- Lucas Nalco de Oliveira
- Lucelia Aparecida de Oliveira
- Marli Ferreira Pacheco
- Rosmar dos Santos Rodrigues
- Solange Maria Menegusso
Secretaria Municipal de Segurança Pública (SMSP)
- Denis Carlos Gomes da Silva
Secretaria Municipal de Saúde (SMSA)
- Heytor Skruch Polato
- Jose Irineu Soares dos Santos
- Odete Marcelo da Silva
- Teodi Jose Machado
Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS)
- Michele Neri Peplinski
- Raquel Norberto Ribeiro Ferreira
Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL)
- Jackson de Oliveira
- Luricilly Sa
- Mariana Martins Kurowski
- Valter Machado de Lima Junior Vidal
Secretaria Municipal de Educação (SMED)
- Jandira dos Santos de Souza
- Luana Paixao dos Santos Lima
Secretaria Municipal de Cultura, Indústria e Turismo (SMCIT)
- Vanderleia Luartes Lacerda
- Willian Rodrigo de Oliveira
Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SMCT)
- Eduardo Willian Neves Fregonese
Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas (SMGP)
- Suelen Goulart
- Vera Lucia Bispo dos Santos
- Viviane Rodrigues Grana
- Wilhan Ilheus Nascimento
Procuradoria Geral do Município (PGM)
- Erica Idalino de Oliveira
- Michele Schmidt da Silva Provin
- Sandra Regina Finardi
- Terezinha Ruvicki Konik
- Thiago Henrique Coelho Paz
Editorial
Legalidade não dispensa transparência

Exonerar cargos comissionados é um ato previsto em lei. Faz parte da dinâmica política e administrativa dos governos.
O ponto central, porém, é a motivação e o contexto.
Quando mudanças ocorrem de forma ampla, simultânea e em meio a tensões internas, a sociedade tem o direito de questionar. Transparência, clareza nos critérios e respeito às instituições são fundamentos indispensáveis.
Araucária vive um momento decisivo. A confiança nas instituições depende menos das exonerações em si e mais da capacidade do poder público de demonstrar que decisões administrativas não estão subordinadas apenas à lógica da sobrevivência política.
A cidade observa — e cobra.
Marcello Sampaio
Amanda Fernandes
Ricardo Kovalski
Gisele Garcia








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