DIRETO DA REDAÇÃO

O Oeste do Paraná quer liderar o mundo — e começou pelo conhecimento

Manifesto assinado no Show Rural coloca Cascavel no centro de um projeto que pretende transformar a região em polo global de tecnologia aplicada à produção de proteínas até 2040

Por Redação Tribuna da Cidade | Cascavel

Durante décadas, o Oeste do Paraná foi reconhecido por algo muito claro: produzir alimentos. Frangos, suínos, leite e grãos fizeram da região um dos maiores polos agroindustriais do planeta. Mas, nesta quarta-feira (11), no Show Rural Coopavel, líderes públicos, empresariais e acadêmicos decidiram mudar o rumo da história regional. A meta agora não é apenas produzir — é liderar.

A assinatura do “Manifesto Ambição Regional: Pela Liderança Global em Conhecimento e Tecnologia Agregada às Proteínas”, promovido pelo Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), estabelece uma estratégia de longo prazo: até 2040, transformar o Oeste do Paraná em referência internacional em ciência, inovação e tecnologia voltadas ao setor de proteínas.

O novo posicionamento econômico

Hoje, a economia regional está fortemente ancorada na agroindústria. Cooperativas estruturadas, logística eficiente e produtividade elevada colocam o Oeste paranaense entre as maiores regiões exportadoras de proteína animal do mundo. Porém, o manifesto aponta um diagnóstico: apenas produzir não será suficiente no futuro.

O objetivo passa a ser exportar também:

  • conhecimento científico
  • genética e melhoramento animal
  • soluções industriais
  • softwares e automação agroindustrial
  • pesquisa e inovação alimentar

Ou seja, não apenas carne — mas inteligência produtiva.

A proposta está alinhada ao movimento do Iguaçu Valley, iniciativa que busca conectar universidades, startups, centros de pesquisa e indústria para criar um verdadeiro ecossistema tecnológico regional.

Cascavel no centro da estratégia

Cascavel aparece como eixo urbano e institucional do projeto. A prefeitura aderiu ao manifesto e defende que os investimentos em infraestrutura rural e urbana são a base para essa transformação.

O prefeito Renato Silva afirma que a estratégia envolve qualidade de vida, logística e fortalecimento do campo.

“Nós vamos fazer a diferença no Brasil com a nossa força de trabalho, produção e ações que melhoram a qualidade de vida de todos”.

Entre os exemplos citados está o programa de asfalto rural, que reduz custos logísticos, facilita o escoamento da produção e integra propriedades ao sistema econômico regional.

União institucional

Para o governador em exercício Darci Piana, a mudança depende da articulação entre setor produtivo, governo e pesquisa.

“Todos ganham: quem produz, quem inova e o governo, que dá suporte a tudo isso”.

O presidente do POD, Alci Rotta, explica que a iniciativa não cria algo novo do zero — ela organiza uma força econômica que já existe.

“A ambição regional nasce daquilo que já somos e da convicção de que podemos ir além”.

A lógica por trás do projeto

O mundo vive uma transição silenciosa no agronegócio. Países que dominam tecnologia alimentar passam a controlar cadeias produtivas globais. Exemplos como Holanda, Israel e Dinamarca mostram que regiões pequenas podem se tornar gigantes econômicos ao investir em pesquisa aplicada.

É exatamente essa inspiração que orienta o projeto do Oeste do Paraná.

A região já possui:

  • universidades e centros de pesquisa
  • parques tecnológicos
  • cooperativas organizadas
  • indústria processadora
  • logística internacional
  • ambiente empreendedor

O desafio agora é integrar esses elementos em uma estratégia contínua de desenvolvimento.

O horizonte de 2040

Se o plano for executado com continuidade política e institucional, o Oeste poderá ampliar sua atuação internacional. A ambição não é apenas alimentar o mundo — é fornecer tecnologia para quem produz alimentos.

O impacto esperado inclui:

  • atração de empresas de base tecnológica
  • geração de empregos qualificados
  • retenção de jovens talentos
  • aumento do PIB regional
  • desenvolvimento sustentável

A assinatura do manifesto, portanto, marca menos o início de um projeto e mais a formalização de uma visão: deixar de ser apenas celeiro para se tornar referência mundial em inovação agroalimentar.

O Oeste do Paraná decidiu disputar espaço não apenas nos mercados, mas no conhecimento.

EDITORIAL TRIBUNA DA CIDADE

Uma decisão rara: planejar o futuro antes da crise

O manifesto firmado no Show Rural talvez seja um dos movimentos estratégicos mais importantes já realizados pelo Oeste do Paraná. E por um motivo simples: ele não nasce de uma crise econômica, mas de uma leitura de futuro.

Historicamente, regiões só mudam quando são obrigadas. Aqui, a mudança vem por antecipação.

O agronegócio mundial está entrando em uma nova era. Produzir em grande escala já não garante liderança econômica. O diferencial passa a ser tecnologia, rastreabilidade, sustentabilidade e ciência. Quem dominar esses fatores controlará mercados, preços e cadeias globais.

O Oeste do Paraná já é potência produtiva. Porém, continuar apenas produzindo significaria aceitar, no longo prazo, menor valor agregado e maior dependência externa.

Ao propor transformar produção em conhecimento, o Programa Oeste em Desenvolvimento aponta o único caminho capaz de manter prosperidade regional nas próximas décadas.

Cascavel acerta ao participar do projeto. Investimentos em infraestrutura, integração com universidades e apoio à inovação não são gastos — são preparação econômica.

O manifesto não é um plano político. É um plano geracional.

Se houver continuidade administrativa, cooperação institucional e envolvimento da sociedade, a região poderá repetir o que poucos territórios no mundo conseguiram: sair da condição de produtora de matéria-prima para protagonista tecnológico global.

O futuro do Oeste não será decidido apenas no campo, mas nos laboratórios, nas startups e nas salas de pesquisa. E reconhecer isso agora pode ser o maior acerto estratégico da história regional.

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