Os hospitais de média e alta complexidade de Curitiba seguem sobrecarregados neste sábado (7). Em diversas unidades da capital, pacientes chegam a esperar até quatro horas dentro de ambulâncias para conseguirem acesso ao atendimento hospitalar.
Levantamento feito junto a equipes de emergência aponta que todas as unidades com pronto-socorro enfrentam o mesmo cenário, com congestionamento na entrega de pacientes e filas de ambulâncias nos acessos hospitalares.
Em um dos principais hospitais de referência em urgência e emergência da capital, foi registrada uma fila de 18 ambulâncias aguardando liberação para entrada de pacientes.

Casos graves aguardam atendimento
Entre as situações acompanhadas pela reportagem, está a de um homem vítima de atropelamento nas primeiras horas da manhã. Segundo relato da esposa, o paciente aguardava há cerca de duas horas dentro da ambulância, apresentando múltiplas fraturas e ferimentos abertos.
“Ele está com as costas abertas, fratura nas costas, fratura no pé, a cabeça aberta e sangrando. O médico precisou atender ele aqui dentro da ambulância porque ele passou mal e não havia vaga para entrar no hospital”, relatou.
Ainda segundo familiares, outro paciente que aguardava há mais de três horas precisou ser atendido às pressas após entrar em estado de choque, reforçando a gravidade da situação enfrentada nos prontos-socorros.

A sobrecarga nos hospitais da capital teve início na sexta-feira (6), com um aumento expressivo no número de atendimentos relacionados a traumas, o que elevou significativamente a demanda nas unidades especializadas.
A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná informou que houve um fluxo intenso de pacientes nas últimas horas, o que, em determinados momentos, provocou maior tempo de espera para atendimento, sem paralisação dos serviços. Segundo a pasta, todos os pacientes seguem sendo atendidos, mesmo diante da alta demanda.

O hospital citado é referência regional em urgência e emergência, atendendo tanto casos espontâneos quanto ocorrências encaminhadas por equipes do Samu e do Siate, incluindo pacientes da Região Metropolitana.

Por Marcello Sampaio
A situação vivida neste fim de semana em Curitiba não deve ser tratada como um ataque político, tampouco reduzida ao discurso fácil de que se trata apenas de um problema pontual ou de ano eleitoral. O que se vê é, antes de tudo, uma questão de gestão, planejamento e estrutura.
Curitiba possui uma rede pública de saúde reconhecida pela sua qualidade. No entanto, quando há um aumento simultâneo de acidentes, traumas e ocorrências graves, o sistema atinge rapidamente seu limite. E isso não é culpa dos profissionais da saúde, que fazem o impossível todos os dias, mas sim da falta de ampliação estrutural compatível com o crescimento da cidade.
O Governo do Estado tem feito sua parte ao levar novas unidades hospitalares para cidades que historicamente não possuíam esse tipo de infraestrutura, como Colombo, Fazenda Rio Grande, Ponta Grossa, Matinhos e Pinhais. Essa estratégia começa a desafogar parte da demanda regional — e é um caminho correto.

Entretanto, é inevitável que Curitiba também precise avançar. A cidade demanda novas estruturas hospitalares, especialmente em regiões estratégicas como o CIC e Campo Comprido, que concentram uma grande fatia da população, além da região do Santa Cândida, ao norte da capital.
A criação de novos leitos é urgente. E isso pode ser feito de forma inteligente, com construções modulares, que reduzem custos, aceleram obras e entregam resultados em menos tempo. Não se trata de gastar mais, mas de gastar melhor.
Quem ganha com isso não são governos ou partidos, mas a população — inclusive os próprios gestores públicos, que também dependem do SUS. Afinal, políticos não são eternos, mas a necessidade de saúde pública eficiente é permanente.
Pensar o futuro da saúde em Curitiba é um dever coletivo. Planejar hoje é salvar vidas amanhã.
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