Praçinha sitiada pelo tráfico: esquema operava ao lado de famílias e termina com prisão em Araucária
Uma cena que revolta e preocupa. Uma praça pública — espaço de lazer, convivência e infância — acabou no centro de uma ocorrência de tráfico de drogas em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A ação da Guarda Municipal de Araucária resultou na prisão de um homem suspeito de manter um ponto de venda de entorpecentes a poucos metros da área frequentada por famílias e crianças.
A ocorrência teve início após denúncias anônimas apontarem movimentação suspeita nas proximidades da Praça Pôr do Sol. Em um primeiro patrulhamento, o suspeito não foi localizado. No entanto, durante nova ronda no início da noite, a equipe visualizou um indivíduo com as características informadas.

De acordo com o relato oficial, o homem apresentava comportamento típico de consumo de drogas em via pública. Ao perceber a aproximação da viatura, tentou dispensar um objeto no chão. A atitude levantou ainda mais suspeitas e motivou a abordagem.
Durante a revista pessoal, os guardas localizaram 11 pinos de substância análoga à cocaína escondidos nas vestes íntimas, além de R$ 53,00 em dinheiro trocado. O suspeito foi identificado como Jhonatan Luiz de Freitas.
Segundo os agentes, diante dos fatos, o homem admitiu que realizava a venda de drogas na região há aproximadamente dois meses, relatando que recebia os entorpecentes por meio de um intermediário.
Mas o que já era grave ganhou contornos ainda mais alarmantes.
A residência do suspeito fica a cerca de três metros do local da abordagem. Questionado sobre a existência de mais drogas no imóvel, ele confirmou. A entrada da equipe foi autorizada e registrada. Durante a busca, foram encontrados:
- 164 invólucros de substância análoga a crack
- 9 invólucros de substância análoga à maconha
Diante da quantidade e das circunstâncias, foi dada voz de prisão em flagrante pelo crime de tráfico de drogas. O detido foi encaminhado à Polícia Civil do Paraná, juntamente com os materiais apreendidos, o dinheiro e um aparelho celular da marca Samsung.
Segundo a Guarda Municipal, não houve resistência e não foi necessário o uso de algemas.

Moradores desabafam após prisão
Após a ocorrência, mensagens de moradores circularam em grupos da comunidade, expressando alívio e indignação. Um morador, sob anonimato, resumiu o sentimento que ecoa em muitas regiões da cidade:
“O povo está cansado. Só porque moramos em comunidade carente, alguns acham que a bandidagem pode correr solta. Aqui tem famílias de bem, crianças, trabalhadores. Queremos viver em paz, ver nossos filhos brincando na praça, e não convivendo com tráfico.”
O desabafo expõe uma ferida social profunda: a normalização da criminalidade em áreas vulneráveis.
Editorial – Olhos de Águia da GMA

Quando uma praça deixa de ser espaço de infância e passa a ser território do medo, algo está errado. E muito errado.
Existe uma perigosa distorção que insiste em sobreviver no imaginário coletivo: a ideia de que comunidades carentes são zonas onde o crime é “esperado”, “inevitável” ou pior — “tolerável”. Não é.
Comunidade não é sinônimo de abandono. Não é sinônimo de terra sem lei. Ali vivem famílias, sonhos, rotinas honestas, gente que acorda cedo, crianças que merecem brincar sem que o cenário ao redor seja o da criminalidade.
O tráfico se aproveita justamente dessa falsa permissividade. Testa limites. Ocupa espaços. Constrói sua presença onde o silêncio, o medo e a resignação parecem dominar.

Operações como essa não representam apenas uma prisão. Representam uma resposta simbólica: a praça pertence à comunidade, não ao crime.
Mas a transformação real exige continuidade. Segurança pública, políticas sociais, presença do Estado e participação cidadã precisam caminhar juntos. A população não quer espetáculo. Quer normalidade. Quer paz. Quer dignidade.
E o recado das ruas está cada vez mais claro:
As comunidades querem viver. E viver em paz.
Créditos: Marcello Sampaio
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