Araucária vive dias de forte tensão política e social. Além de um cenário administrativo conturbado, o município foi impactado por uma sequência de mortes de recém-nascidos no Hospital Municipal de Araucária (HMA), situação que gerou comoção, cobranças públicas e exigência de respostas por parte da população.

As ocorrências colocaram a saúde pública no centro do debate. Para muitas famílias, a dor é irreparável. Antes de qualquer discussão política, o município acompanha o luto de pais que enfrentam uma perda impossível de mensurar. A tragédia trouxe questionamentos sobre atendimento, protocolos médicos e gestão hospitalar.
A sociedade passou a cobrar explicações claras e detalhadas. Mais do que notas oficiais, moradores pedem transparência, investigação rigorosa e eventuais responsabilizações, caso sejam constatadas falhas.

Durante entrevista a imprensa, a prefeita em exercício de Araucária, Tatiana Assuiti, classificou a situação como “inadmissível”. Segundo ela, nenhuma explicação é capaz de confortar as famílias atingidas.
“Quando uma mãe perde um filho, todas as mães perdem”, declarou.
Tatiana afirmou estar à frente da administração municipal há cerca de 20 dias, período em que o prefeito Gustavo Botogoski encontra-se afastado por férias, e informou ter convocado reunião com a Secretaria Municipal de Saúde para tratar do caso.
De acordo com a prefeita em exercício, haverá cobrança direta ao hospital e à entidade responsável pela gestão da unidade.
“Se alguém errou, será punido na forma da lei.”
Sobre o caso da bebê Lorena, ela declarou que houve pedido de cesárea por parte da gestante e defendeu que a vontade da mãe deve ser respeitada, conforme prevê a legislação. Também destacou a atitude do pai da criança, que decidiu tornar o caso público.
“Num momento de dor, ele pensa nos outros. É um gesto incrível.”
Tatiana ainda pediu desculpas às famílias atingidas:
“Sei que não vale de nada, mas é o mínimo que posso pedir para essas mães e esses pais. Farei de tudo para que isso não volte a acontecer.”
O caso segue em apuração e até o momento não há conclusão oficial sobre eventual falha no atendimento.
Clima político tenso
Paralelamente à crise na saúde, o município atravessa um período de instabilidade política. Há um processo em andamento na Câmara Municipal envolvendo comissão processante por possível improbidade administrativa, além de críticas à condução de diferentes áreas da gestão pública, como segurança, obras, cultura e serviços urbanos.
Enquanto isso, a vice-prefeita — atualmente no comando do Executivo — vem conduzindo reuniões administrativas e acompanhando a situação do hospital, buscando organizar medidas emergenciais até o retorno do prefeito.

Cobrança por respostas
O episódio ampliou o debate público sobre a qualidade do atendimento na saúde municipal. Moradores passaram a pedir fiscalização mais rigorosa, auditorias e acompanhamento permanente das condições do hospital.
Especialistas lembram que fatalidades médicas podem ocorrer por diversos fatores clínicos, porém, diante de casos sucessivos, a investigação precisa ser técnica, transparente e independente para restabelecer a confiança da população.

A principal reivindicação das famílias é objetiva: saber exatamente o que aconteceu.
Araucária agora aguarda a conclusão das apurações oficiais. Para a população, mais do que disputa política, trata-se de respeito às vidas perdidas e da garantia de que situações semelhantes não voltem a ocorrer.
Editorial — Hora de responsabilidade política

Araucária atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. A cidade discute saúde pública, enfrenta desgaste administrativo e vive uma crise de confiança entre população e governo. Em cenários assim, a principal exigência da sociedade não é discurso — é responsabilidade.
O prefeito licenciado Gustavo Botogoski foi eleito sob a promessa de mudança. Porém, enquanto a cidade enfrenta turbulências administrativas e uma crise sensível na área da saúde, sua ausência administrativa pesa politicamente. Em política, às vezes a permanência no cargo não significa estabilidade; significa prolongar o desgaste institucional.
Não se trata de ataque pessoal, mas de realidade política: a gestão perdeu capacidade de pacificar o ambiente público. Há investigação em curso, questionamentos na Câmara, pressão popular e um município que precisa voltar a funcionar com normalidade e confiança.

Nessas horas, a grandeza de um líder se mede pela decisão difícil.
Um gesto de renúncia não seria necessariamente derrota. Poderia ser, ao contrário, um ato de responsabilidade política para evitar aprofundamento da crise, redução do desgaste institucional e preservação da governabilidade. Permitiria ainda que a administração seguisse sob comando pleno da prefeita em exercício Tatiana Assuiti, que hoje já conduz as ações emergenciais e tem condições de dar continuidade administrativa sem a instabilidade atual.
Araucária precisa de paz administrativa, decisões rápidas e autoridade efetiva. A cidade não pode ficar refém de disputas políticas enquanto a população aguarda respostas.
Às vezes governar também é reconhecer o momento de sair de cena.
O cargo pertence ao povo — não ao governante. E quando a crise passa a prejudicar o município, a prioridade deve ser a cidade.
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