14 de fevereiro de 2026 O PODER DOS PORTAIS DE NOTÍCIAS NA ERA DIGITAL

O PODER DOS PORTAIS DE NOTÍCIAS NA ERA DIGITAL

Credibilidade, alcance e influência moldam o novo mercado publicitário

Por Marcello Sampaio
Análise e Estratégia de Comunicação — Editorial Especial


Em um mercado dominado por algoritmos, métricas em tempo real e campanhas orientadas por performance, um movimento silencioso começa a ganhar força entre grandes anunciantes: o reposicionamento estratégico em ambientes editoriais de alta credibilidade.

Se durante anos o discurso publicitário foi monopolizado pelo tráfego pago e pela promessa de segmentação cirúrgica, em 2024 consolidou um novo entendimento: performance gera conversão, mas credibilidade constrói valor.

E valor sustenta marcas.


Os dados mais recentes do mercado publicitário brasileiro reforçam essa transformação estrutural.

Segundo o Painel Cenp-Meios 2024, o investimento publicitário no Brasil alcançou R$ 26,3 bilhões, crescimento de 12,17% em relação a 2023.

Dentro desse montante:

  • Internet: R$ 10,46 bilhões (39,8%)
  • TV aberta: R$ 9,61 bilhões (36,5%)
  • Mídia exterior: R$ 3,11 bilhões (11,8%)
  • Rádio: R$ 1,04 bilhão (4%)
  • Jornais: 1,4%

O dado simbólico: a internet ultrapassou a TV aberta em participação no bolo publicitário.

Paralelamente, o relatório Digital AdSpend 2025, do IAB Brasil em parceria com a Kantar IBOPE Media, aponta que o investimento total em publicidade digital atingiu R$ 37,9 bilhões em 2024, alta de 8%.

Entre os formatos digitais:

  • Social Media: +50% do investimento
  • Search: cerca de 28%
  • Portais e verticais de conteúdo: aproximadamente 19%

Esse último dado é o que merece atenção estratégica.


Os portais de notícias não competem apenas por cliques. Competem por influência.

Ambientes editoriais consolidados oferecem três ativos que não podem ser comprados por impulsionamento isolado:

✔ Autoridade editorial
✔ Público qualificado
✔ Contexto informativo estruturado

Em marketing, percepção é patrimônio.
E o ambiente onde a marca aparece molda essa percepção.

Uma campanha exibida dentro de um portal com reputação consolidada não é apenas vista — ela é legitimada pelo contexto.


Durante décadas, revistas de negócios e jornais de grande circulação serviram como selo de prestígio corporativo. No ambiente digital, os portais assumem esse papel.

Anunciar em um veículo editorial sólido significa:

  • Associar a marca a credibilidade
  • Reduzir risco reputacional
  • Inserir-se em ambiente de brand safety
  • Dialogar com audiência atenta

Diferentemente das redes sociais — onde o consumo é veloz, fragmentado e frequentemente superficial — o ambiente jornalístico estimula permanência, leitura completa e atenção contextualizada.

A diferença é estratégica:

Aparecer é exposição.
Estar no ambiente certo é posicionamento.


O tráfego pago é eficiente.
Ele entrega segmentação, mensuração detalhada e otimização constante.

Mas opera, majoritariamente, no campo da conversão imediata.

Já os portais atuam em três dimensões de longo prazo:

  • Construção de reputação
  • Consolidação de autoridade
  • Ampliação da percepção institucional

Empresas maduras compreenderam que performance sem posicionamento é frágil.

A equação mais eficiente não é substituição — é integração estratégica.


Relatórios de mercado indicam aumento consistente no investimento em ambientes seguros e contextualizados.

Marcas buscam:

  • Redução de exposição a fake news
  • Ambientes livres de polarização extrema
  • Conteúdo editorial profissional
  • Audiência qualificada e recorrente

Nesse cenário, portais jornalísticos consolidados se tornam plataformas híbridas:

Informação + influência + ambiente de marca.


O dado de que aproximadamente 19% do investimento digital é destinado a portais e verticais de conteúdo revela algo fundamental:
Existe orçamento específico para ambientes de credibilidade.

E esse orçamento cresce na medida em que empresas enfrentam maior vigilância pública, pressão reputacional e necessidade de comunicação institucional consistente.

Em setores como:

  • Saúde
  • Educação
  • Mercado imobiliário
  • Setor público
  • Serviços financeiros

O ambiente editorial torna-se decisivo.


O portal moderno não é apenas um repositório de notícias.

Ele é:

• Plataforma de influência
• Canal de relacionamento comunitário
• Espaço de posicionamento institucional
• Ativo estratégico de autoridade digital

Quando estruturado com profissionalismo editorial, audiência real e consistência informativa, torna-se ativo econômico relevante dentro do ecossistema publicitário.


O debate contemporâneo não é mais “digital versus tradicional”.

É sobre qualidade do ambiente.

O mercado já decidiu que o digital lidera em investimento.
Agora decide onde dentro do digital deseja estar.

Enquanto o tráfego pago acelera conversões, os portais constroem reputação.

E no longo prazo, reputação é o ativo mais valioso de qualquer marca.

Empresas que compreendem essa dinâmica não apenas anunciam.

Elas ocupam espaço estratégico no ecossistema da informação.


O fortalecimento dos portais de notícias não é um fenômeno circunstancial.
É uma resposta natural à saturação de ambientes dispersos e à crescente demanda por credibilidade.

Em tempos de excesso informacional, confiança se torna moeda.

E no mercado publicitário contemporâneo, a confiança não é apenas valor simbólico — é ativo estratégico.

Os números confirmam a mudança estrutural.
O comportamento do anunciante confirma a maturidade do mercado.

A pergunta já não é se os portais são relevantes.

A pergunta é:
quais marcas compreenderão primeiro o valor de estar no lugar certo?


Marcello Sampaio
Análise e Estratégia de Comunicação
Editorial Especial

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