14 de fevereiro de 2026 ELEIÇÕES 2026 NO PARANÁ: ENTRE ESPECULAÇÕES, FILIAÇÕES E O JOGO REAL DO PODER

ELEIÇÕES 2026 NO PARANÁ: ENTRE ESPECULAÇÕES, FILIAÇÕES E O JOGO REAL DO PODER

O tabuleiro político do Paraná entrou oficialmente em fase de aquecimento. Não há ainda candidaturas formalizadas, nem chapas registradas, mas os movimentos de bastidores indicam que a sucessão do governador Ratinho Junior será uma das disputas mais complexas e estratégicas da história recente do Estado.

A razão é simples: com índices de aprovação que rondam os 85%, Ratinho Junior transformou seu capital político no principal ativo eleitoral de 2026. Apoiar alguém significa quase garantir presença no segundo turno. Não apoiar, por outro lado, pode inviabilizar projetos inteiros.

Mas, apesar da ansiedade do meio político, a realidade é dura: a eleição ainda não começou do ponto de vista legal. Antes dos nomes, vêm as regras. Antes das alianças, vêm as filiações. Antes das pesquisas definitivas, vem a matemática partidária.


O PESO DAS DECLARAÇÕES — E O QUE ELAS REALMENTE SIGNIFICAM

A declaração do deputado federal Ricardo Barros, líder do Progressistas no Paraná, afirmando que “o nome do PSD hoje é Guto Silva”, teve impacto imediato nos bastidores. Não pelo conteúdo em si, mas pelo momento político em que foi feita.

Barros é reconhecido como um dos operadores políticos mais experientes do Estado. Seu grupo — que inclui a deputada estadual Maria Victoria — controla estrutura, prefeitos, vereadores e fundo partidário. Quando fala, o sistema escuta.

Ainda assim, a leitura predominante é cautelosa: não se trata de definição, mas de sinalização.

Enquanto isso, outros atores também se movimentam:

  • O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca passou a discursar publicamente em tom de pré-candidato.
  • O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, articula alternativas, inclusive fora do PSD.
  • O senador Sergio Moro lidera cenários de pesquisa.
  • Requião Filho aparece como alternativa competitiva em campos mais ideológicos.

Pesquisas, contudo, são retratos momentâneos. Eleições se decidem com estrutura, não apenas com intenção de voto.


A REGRA DO JOGO: O QUE A LEI ELEITORAL IMPÕE

Antes de qualquer análise política, há uma barreira intransponível: a legislação.

Filiações

  • Prazo final: abril de 2026
  • Sem filiação válida, não existe candidatura
  • Até lá, a “dança das cadeiras” partidária seguirá intensa

Proporcional
Cada partido ou federação deverá lançar:

  • até 32 candidatos a deputado federal
  • até 55 candidatos a deputado estadual

Não há coligação proporcional.
Federações funcionam como partido único.

👉 Sem chapa forte, não há campanha majoritária sustentável.

Majoritária

  • Governador + vice
  • Até dois candidatos ao Senado
  • Aqui, sim, coligações são permitidas
  • As decisões só se tornam oficiais em julho de 2026, nas convenções

OS PARTIDOS REGISTRADOS NO TRE-PR — E A DIFERENÇA ENTRE EXISTIR E DISPUTAR

Hoje, mais de 30 partidos e federações estão com situação vigente no Paraná, entre eles:

PCO, Federação PT/PCdoB/PV, PSTU, UNIÃO, PSD, Federação PSOL/REDE, PP, Solidariedade, NOVO, PL, AGIR, MDB, PT, PDT, Podemos, Missão, Republicanos, PSDB, PRD, Cidadania, Avante, PSB, Democrata, Mobiliza e DC,UP.

Na prática, porém, apenas de 6 a 9 candidaturas ao governo tendem a ser competitivas.

Os demais partidos costumam:

  • Negociar vice
  • Negociar Senado
  • Priorizar chapas proporcionais
  • Ou lançar candidaturas simbólicas para posicionamento político

O FATOR MORO: FAVORITO COM ESTRUTURA, VULNERÁVEL SEM ELA

Se a eleição fosse hoje, Sergio Moro largaria em vantagem. Mas o ponto central é outro: com qual estrutura?

A federação União Progressistas já deu sinais de desconforto. Ricardo Barros endureceu, depois recuou, e voltou a abrir diálogo. Isso não é contradição — é negociação.

Se Moro obtiver o apoio formal da federação, torna-se candidato fortíssimo.
Sem isso, precisará buscar uma legenda com musculatura estadual, fundo eleitoral e base municipal.

Esse movimento afeta diretamente a disputa ao Senado, inclusive o projeto de Cristina Graeml, que pode recalcular rota, repetindo estratégias já vistas em eleições anteriores.


OUTROS NOMES NO RADAR — E SEUS OBJETIVOS REAIS

Também aparecem no jogo:

  • Cida Borghetti
  • Ricardo Gomyde
  • Paulo Martins
  • Gleisi Hoffmann
  • Alvaro Dias

Alguns miram o governo.
Outros negociam espaços.
Alguns constroem projetos para 2028.
Nem todo nome lançado pretende chegar até o fim.


Aliados são unânimes: Ratinho Junior não declarará apoio antes de abril.

Ele aguardará:

  • O fechamento das filiações
  • A consolidação das chapas proporcionais
  • O desenho nacional das federações

Quem ficar no PSD até lá estará no jogo interno.
Quem sair, sairá com cálculo político feito.


A política não é feita de pressa, mas de tempo.

Hoje, especula-se quem será o herdeiro de Ratinho Junior.
Projeta-se vitória antecipada de Sergio Moro.
Calcula-se o peso de federações e estruturas.

Mas a realidade é objetiva:

Sem filiação, não há candidato.
Sem chapa proporcional, não há campanha viável.
Sem acordo político, não há governabilidade.

Até abril, veremos migrações.
Até julho, alianças.
Só depois disso, candidatos reais.

O restante é ruído.

O tabuleiro está montado.
As peças estão se movendo.
Mas o xeque-mate ainda está distante.

E, em política, quem se antecipa demais costuma sair antes do fim do jogo.


Marcello Sampaio
Jornalista e Liderança Partidária

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