12 de janeiro de 2026 VERÃO MAIOR PARANÁ: A FESTA MILIONÁRIA QUE O CONTRIBUINTE PAGA — E O GOVERNO AINDA PRECISA EXPLICAR POR COMPLETO

VERÃO MAIOR PARANÁ: A FESTA MILIONÁRIA QUE O CONTRIBUINTE PAGA — E O GOVERNO AINDA PRECISA EXPLICAR POR COMPLETO

Levantamento exclusivo do Tribuna da Cidade revela que o projeto já consumiu quase R$ 25 milhões em recursos públicos em apenas três anos. Especialistas cobram transparência ativa, planilha única e explicações diretas do governo.

Por Marcello Sampaio
Tribuna da Cidade
Com apoio da Equipe de Investigação & Compliance do Grupo VPX de Comunicação

O que começou como um programa de incentivo ao esporte, saúde e lazer popular se transformou, em poucos anos, em uma das operações culturais mais caras do Estado do Paraná.

O Verão Maior Paraná, apresentado oficialmente como política pública de fomento ao turismo e à cultura, saiu de um modelo enxuto — baseado em kits esportivos, ações de saúde preventiva e atividades comunitárias — para uma estrutura marcada por contratos milionários, cachês elevados e custos operacionais robustos.

Um levantamento investigativo exclusivo do Tribuna da Cidade, baseado exclusivamente em documentos oficiais já publicados, mostra que o projeto já comprometeu ao menos R$ 24.957.967,19 entre 2024 e 2026.

E esse número não é o teto.
É o piso comprovado.

O valor não inclui aditivos, contratos paralelos, publicidade institucional, despesas diluídas em outras secretarias nem custos indiretos não identificados explicitamente como parte do projeto.

A escalada dos gastos: os números que contam a história

2024 — R$ 7.599.236,56

Foi o ano em que o Verão Maior Paraná passou a aparecer de forma estruturada nos registros públicos.

  • R$ 1,55 milhão em pagamento de direitos autorais ao ECAD
  • R$ 5,78 milhões em estrutura, recursos humanos, materiais e ambulâncias
  • R$ 253,5 mil em atrações diretamente vinculadas à operação

2025 — R$ 14.943.730,63

Aqui ocorre a explosão orçamentária.

  • R$ 13,26 milhões apenas em cachês de artistas nacionais
  • R$ 664,8 mil em atrações locais (inexigibilidades e Termos de Execução Cultural)
  • R$ 1,0 milhão em logística, apoio e estrutura

2026 — R$ 2.415.000,00 (até agora)

Mesmo antes da execução completa:

  • R$ 2,2 milhões já comprometidos somente com ECAD
  • R$ 180 mil com artistas paranaenses
  • R$ 35 mil em contratação por dispensa

Total já identificado (2024–2026): R$ 24.957.967,19

Este valor representa apenas os contratos que fazem menção expressa ao Verão Maior Paraná ou à Operação Verão Maior (OPV).

Onde está a planilha completa?

Os shows acontecem.
Os palcos são montados.
Os artistas sobem ao palco.

Mas a planilha consolidada, clara e acessível ao cidadão comum não aparece.

Os gastos estão fragmentados em dezenas de contratos, modalidades distintas, órgãos diferentes e exercícios cruzados. Para o contribuinte, compreender o custo real da festa exige um trabalho técnico de consolidação — exatamente o que esta reportagem realizou.

Transparência ativa não é publicar pedaços.
Transparência ativa é consolidar o todo.

Em versões anteriores, quando o projeto ainda estava vinculado à Secretaria de Esportes, o foco era outro:

  • kits esportivos para a população
  • ações permanentes de saúde e bem-estar
  • atividades continuadas para comunidades locais

Hoje, o eixo central migra para grandes contratações artísticas e operações de alto custo.

A mudança de modelo não é ilegal.
Mas exige explicações proporcionais ao dinheiro investido.

Ao secretário Hélio Werbiski

  • Onde está a planilha única, clara e auditável do Verão Maior Paraná?
  • Quais critérios técnicos justificam cachês elevados e o uso recorrente de inexigibilidade?
  • Como o governo mede o retorno econômico real do projeto? Há dados verificáveis?

Ao governador Ratinho Junior

  • Qual é o custo total consolidado do Verão Maior Paraná?
  • Por que o projeto salta de R$ 0 para dezenas de milhões em curto espaço de tempo?
  • Por que não há transparência ativa, com relatório anual completo e acessível?

Fontes do próprio setor artístico relatam, de forma informal, que comissões e intermediações são práticas conhecidas no mercado de shows públicos.

Isso não configura prova de irregularidade.

Mas reforça a necessidade de investigação técnica quando há:

  • repetição de inexigibilidades de alto valor
  • concentração de contratos
  • crescimento abrupto de despesas

Cabe ao Ministério Público, Tribunais de Contas e Assembleia Legislativa apurar se houve ou não desvios.
À imprensa, cabe provocar, questionar e exigir explicações.

Com R$ 25 milhões, seria possível:

  • reforçar unidades de saúde
  • ampliar efetivos de segurança pública
  • investir em escolas e programas permanentes
  • estruturar cultura continuada, não apenas eventos sazonais

O debate não é “show versus cultura”.
É prioridade, proporcionalidade e transparência.

Não existe política pública imune à fiscalização.
E festa pública não suspende a obrigação de prestar contas.

Quando quase R$ 25 milhões saem do bolso do contribuinte em poucos anos, o mínimo esperado é:

  • planilha consolidada
  • critérios objetivos
  • estudos de retorno
  • explicações diretas

O cidadão não é plateia.
É financiador.

Se o projeto é bom, prove com dados.
Se gera retorno, publique os números.
Se é prioridade, assuma o custo com transparência total.

Silêncio administrativo, diante de valores crescentes, não protege governos.
Provoca investigações.

Créditos

Marcello Sampaio
Jornalista — Tribuna da Cidade

Equipe de Investigação & Compliance
Grupo VPX de Comunicação

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