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Morre Isabel Veloso, influenciadora paranaense que transformou a dor em mensagem de vida

A influenciadora digital paranaense Isabel Veloso, de 19 anos, morreu neste sábado (10) em decorrência de complicações causadas pelo câncer. A confirmação foi feita pelo marido, Lucas Borbas, por meio das redes sociais. Isabel estava internada em Curitiba.

Diagnosticada em 2021, aos 15 anos, com linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, Isabel passou a compartilhar publicamente sua trajetória desde o início do tratamento. Nas redes sociais, falou sobre procedimentos médicos, dores físicas, medos, esperança, fé e, sobretudo, sobre a finitude da vida — sempre com franqueza e sensibilidade.

Mesmo diante de um diagnóstico grave, Isabel construiu uma relação próxima com milhares de seguidores, tornando-se referência para jovens, pacientes oncológicos e famílias que enfrentam situações semelhantes. Seus conteúdos iam além da doença: traziam reflexões profundas sobre o tempo, o amor, a aceitação e o valor da existência.

Nos últimos meses, o quadro de saúde se agravou, exigindo internações frequentes. A morte precoce da influenciadora comoveu seguidores e gerou uma onda de homenagens nas redes sociais, com mensagens de carinho, gratidão e reconhecimento pela coragem com que ela enfrentou a própria história.

Isabel deixa um legado que ultrapassa números e curtidas: o de ter humanizado a doença, rompido silêncios e mostrado que, mesmo diante da dor extrema, é possível comunicar afeto, verdade e dignidade.


A morte de Isabel Veloso não é apenas uma notícia triste. É um alerta silencioso — e ao mesmo tempo ensurdecedor — sobre como lidamos com a vida, a doença e o sofrimento alheio.

Aos 19 anos, Isabel fez aquilo que muitos adultos nunca conseguem: falou sobre a morte sem banalizá-la, encarou o câncer sem romantizá-lo e dividiu sua vulnerabilidade sem transformá-la em espetáculo vazio. Em um tempo marcado por filtros, superficialidade e disputas de narrativa, ela escolheu a verdade.

Sua trajetória escancara uma realidade que o Brasil ainda insiste em tratar com distância: o impacto emocional, psicológico e social do câncer em jovens. Fala também sobre o papel das redes sociais, que podem ser tanto ambientes tóxicos quanto espaços legítimos de acolhimento e conscientização — dependendo de como são usados.

Isabel não pediu pena. Pediu compreensão. Não vendeu esperança falsa. Ofereceu humanidade. E talvez por isso tenha tocado tantas pessoas.

A morte precoce dói porque confronta a falsa ideia de controle que cultivamos. Dói porque lembra que a vida não é justa, linear ou previsível. Mas também ensina — e muito — sobre empatia, respeito e escuta.

Que a história de Isabel Veloso não seja consumida apenas como mais um fato do noticiário. Que ela provoque reflexão, mobilize políticas de apoio, fortaleça o debate sobre saúde mental e inspire uma sociedade menos cruel com quem sofre.

Porque quando uma jovem parte tão cedo, o mínimo que podemos fazer é ouvir o que ela disse enquanto esteve aqui.

Tribuna da Cidade
Editorial assinado por Marcello Sampaio
Direto da Redação

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