12 de fevereiro de 2026 O Oeste do Paraná quer liderar o mundo — e começou pelo conhecimento

O Oeste do Paraná quer liderar o mundo — e começou pelo conhecimento

Oeste do Paraná mira o topo global da bioeconomia das proteínas

Com apoio de lideranças públicas e privadas, manifesto firmado no Show Rural projeta a região como polo mundial de tecnologia aplicada à produção de proteínas até 2040.

O Oeste do Paraná decidiu jogar em outra liga. Em um movimento que combina ambição econômica, estratégia territorial e visão de longo prazo, lideranças regionais assinaram no Show Rural o “Manifesto Ambição Regional: Pela Liderança Global em Conhecimento e Tecnologia Agregada às Proteínas”. A iniciativa, articulada pelo Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) e integrada ao ecossistema Iguaçu Valley, estabelece um horizonte claro: transformar a região em referência mundial não apenas na produção, mas no conhecimento, inovação e tecnologia que orbitam a cadeia de proteínas.

A assinatura do documento representa mais do que um gesto simbólico. Trata-se de uma agenda estruturante que busca reposicionar o Oeste paranaense no mapa global da bioeconomia — um setor em expansão que conecta agricultura, ciência, tecnologia, sustentabilidade e indústria de alto valor agregado.

Da produção ao conhecimento

O Oeste do Paraná já ocupa posição de destaque como um dos maiores polos produtores e exportadores de proteínas do planeta, impulsionado por um robusto sistema cooperativista, infraestrutura agroindustrial e forte capacidade logística. O novo passo consiste em avançar na escala de valor: exportar tecnologia, pesquisa, genética, soluções digitais e inteligência produtiva, e não apenas matéria-prima.

Segundo o presidente do POD, Alci Rotta, a ambição regional não surge do improviso, mas de uma base concreta. “O Oeste já reúne produção em larga escala, universidades, parques tecnológicos e um ecossistema de inovação consolidado. A ambição nasce do que já somos e do entendimento de que podemos ir além”, afirmou.

Essa transição de paradigma — da commodity ao conhecimento — reflete uma tendência global. Países e regiões líderes no agronegócio têm ampliado sua competitividade ao dominar etapas estratégicas da cadeia, como biotecnologia, automação, rastreabilidade e sustentabilidade produtiva.

A força do manifesto reside na convergência entre poder público, setor produtivo, academia e sociedade civil. A prefeitura de Cascavel, uma das protagonistas do movimento, reforça que os investimentos em infraestrutura rural e logística são parte do alicerce dessa transformação. O prefeito Renato Silva destacou o papel do território como motor de desenvolvimento nacional, sustentado por produtividade, inovação e melhoria da qualidade de vida.

No âmbito estadual, o governador em exercício Darci Piana enfatizou a necessidade de integração entre iniciativas já existentes e as novas diretrizes propostas pelo POD. A estratégia é clara: evitar dispersão de esforços e alinhar políticas públicas, investimentos privados e pesquisa científica em torno de um mesmo objetivo.

Um projeto econômico com DNA sustentável

O documento estabelece uma agenda de desenvolvimento que combina crescimento econômico com sustentabilidade territorial. O objetivo não é apenas ampliar a produção, mas qualificar o modelo produtivo, promovendo eficiência energética, inovação biotecnológica, rastreabilidade e práticas ambientalmente responsáveis.

Ao integrar ciência e cadeia produtiva, o Oeste busca se posicionar como um laboratório vivo de soluções para a segurança alimentar global — tema central nas agendas econômicas e geopolíticas contemporâneas.

O papel do Iguaçu Valley

A articulação com o movimento Iguaçu Valley reforça a dimensão tecnológica do projeto. A iniciativa conecta startups, universidades, centros de pesquisa e empresas, criando um ambiente propício para o desenvolvimento de soluções inovadoras em biotecnologia, automação agroindustrial e inteligência de dados aplicada à produção de alimentos.

Esse modelo de governança multissetorial aproxima o Oeste de ecossistemas internacionais de inovação, onde competitividade nasce da interação entre ciência, capital e mercado.

Rumo a 2040: uma estratégia de posicionamento global

O horizonte de 2040 não é apenas um marco temporal, mas um instrumento de planejamento estratégico. A meta é clara: transformar a vocação produtiva regional em liderança global baseada em conhecimento. Isso implica formação de capital humano qualificado, atração de investimentos, internacionalização de empresas e consolidação de cadeias de valor tecnológicas.

Se bem-sucedida, a estratégia poderá reposicionar o Oeste do Paraná como um dos principais hubs mundiais da bioeconomia das proteínas — um setor que tende a ganhar relevância com o crescimento populacional e a demanda por sistemas alimentares mais eficientes.


O manifesto firmado no Oeste do Paraná representa um raro exemplo de planejamento regional que parte de uma base concreta e projeta um futuro plausível. Em vez de promessas abstratas, a estratégia reconhece a vocação produtiva existente e propõe sua evolução natural: transformar produção em conhecimento e competitividade em liderança global.

O mérito central da iniciativa está na convergência institucional. Quando setor público, iniciativa privada e academia compartilham um projeto comum, a inovação deixa de ser discurso e passa a ser método. Esse alinhamento reduz incertezas, orienta investimentos e cria ambiente propício ao desenvolvimento sustentável.

Num cenário internacional marcado por disputas por tecnologia, alimentos e energia, regiões capazes de integrar ciência e produção tendem a ocupar posições estratégicas. O Oeste do Paraná sinaliza que compreendeu essa dinâmica — e decidiu agir.

Mais do que um plano econômico, o manifesto expressa uma visão de futuro baseada em cooperação, conhecimento e responsabilidade territorial. Se mantiver consistência na execução, o projeto poderá se tornar referência nacional de desenvolvimento regional orientado por inovação.

Ambição, quando ancorada em realidade, deixa de ser sonho. Torna-se estratégia.

Deixe um comentário