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Polícia Civil investiga desaparecimento de jovem no Pico Paraná após trilha durante o Réveillon

Tribuna da Cidade | Direto da Redação
Jornalista: Marcello Sampaio

A Polícia Civil do Paraná esteve no Pico Paraná no último sábado (3) para ouvir testemunhas e dar início formal às investigações sobre o desaparecimento de Roberto Farias Thomaz, de 20 anos. O caso ocorreu em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.

O jovem desapareceu na manhã de quinta-feira (1º), após passar o Réveillon na região do parque estadual acompanhado de uma amiga. Segundo as informações apuradas, os dois subiram até o cume do Pico Paraná no dia 31 de dezembro. Durante a descida, acabaram se separando nas trilhas, e Roberto não foi mais visto desde então.

Diante da ausência de contato e do não retorno do jovem, equipes de resgate foram acionadas. Com o avanço das buscas e a falta de pistas concretas, a ocorrência passou a ser acompanhada também pela Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias do desaparecimento.

De acordo com o delegado Glaison Lima, responsável pelo caso, a atuação da Polícia Judiciária no local tem como objetivo apurar se há indícios de crime ou qualquer irregularidade relacionada ao ocorrido.

“Estamos realizando diligências no Pico Paraná para apurar um desaparecimento ocorrido entre 31 de dezembro e 1º de janeiro. A pessoa estava acompanhada, ambos subiram a montanha e, no retorno, houve o desaparecimento de um deles. O Corpo de Bombeiros realiza buscas intensas, a Polícia Militar atua na contenção da área, e o trabalho da Polícia Civil é esclarecer as circunstâncias, verificar se existe indício de infração penal e localizar essa pessoa”, afirmou o delegado.

As buscas seguem sob responsabilidade do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, com apoio da Polícia Militar do Paraná, voluntários experientes em montanhismo e outras forças de segurança. Neste domingo (4), a operação entrou no quarto dia consecutivo, com varreduras em trilhas, áreas de mata fechada e pontos de difícil acesso.

O caso permanece sob investigação, enquanto familiares e amigos acompanham com apreensão o andamento das buscas.

EDITORIAL | Pico Paraná, silêncio e as perguntas que ainda não foram respondidas

O desaparecimento de Roberto Farias Thomaz no Pico Paraná levanta uma série de questionamentos que vão além do drama humano vivido pela família. Trata-se de um caso que expõe fragilidades estruturais, falhas de controle e, sobretudo, lacunas que ainda precisam ser esclarecidas com transparência.

O Pico Paraná não é uma trilha comum. É um ambiente de alto risco, com mudanças climáticas bruscas, mata fechada, terreno técnico e exigência de preparo físico e psicológico. A separação de trilheiros durante o retorno, especialmente em um período de grande fluxo como o Réveillon, não pode ser tratada como detalhe irrelevante.

Há perguntas que precisam ser enfrentadas com seriedade:

  • Por que os dois se separaram?
  • Houve falha de comunicação ou orientação?
  • As regras de acesso e controle estavam sendo cumpridas?
  • O parque estava oficialmente aberto e com cadastro regular?
  • Há inconsistências nos relatos iniciais?

A entrada da Polícia Civil no caso é um passo essencial para afastar especulações e garantir que nenhuma hipótese seja descartada prematuramente. Investigar não significa acusar — significa buscar a verdade, seja ela trágica, acidental ou resultado de negligência.

Casos de desaparecimento em ambientes naturais exigem rigor técnico, cruzamento de informações e, acima de tudo, respeito às famílias, que vivem dias de angústia enquanto aguardam respostas.

O silêncio da montanha não pode se transformar em silêncio institucional. Cada hora conta. Cada detalhe importa. E a sociedade espera que tudo seja apurado com responsabilidade, clareza e humanidade.

Linha do tempo do desaparecimento no Pico Paraná

31 de dezembro

  • Roberto Farias Thomaz, 20 anos, sobe o Pico Paraná acompanhado de uma amiga.
  • A dupla chega ao cume da montanha.
  • O local estava fechado para visitação, com exigência de cadastro obrigatório, que não foi realizado.
  • A descida começa ainda no mesmo dia.

Entre 31 de dezembro e 1º de janeiro

  • Durante o retorno da trilha, Roberto e a amiga se separam.
  • A amiga consegue concluir a descida.
  • Roberto não retorna e não faz mais contato.
  • O desaparecimento ocorre em área de mata fechada, com trilhas técnicas e risco elevado.

1º de janeiro

  • Familiares e amigos percebem a ausência de contato.
  • O desaparecimento é comunicado às autoridades.
  • Corpo de Bombeiros inicia as primeiras buscas no parque.

2 de janeiro

  • As buscas são intensificadas, com apoio de voluntários.
  • A operação passa a concentrar esforços em:
    • Trilhas secundárias
    • Áreas de mata densa
    • Regiões de difícil acesso e encostas

3 de janeiro

  • A Polícia Civil do Paraná entra oficialmente no caso.
  • Equipes vão até o Pico Paraná para:
    • Ouvir testemunhas
    • Reconstituir o trajeto feito pelos dois jovens
    • Apurar se houve negligência, imprudência ou outra infração

4 de janeiro

  • As buscas entram no quarto dia consecutivo.
  • O caso passa a ser tratado também sob a ótica investigativa, além do resgate.
  • Autoridades reforçam que nenhuma hipótese é descartada até o momento.

Por que o Pico Paraná exige atenção máxima

O Pico Paraná é a montanha mais alta do Sul do Brasil e não é trilha comum. O acesso envolve mata fechada, mudanças bruscas de clima e longos trechos sem sinal de celular.

Principais riscos

  • Desorientação: trilhas secundárias e bifurcações pouco sinalizadas
  • Separação do grupo: erro frequente que aumenta drasticamente o risco
  • Clima instável: neblina, chuva e queda de temperatura repentinas
  • Terreno técnico: encostas íngremes, pedras soltas e raízes escorregadias
  • Exaustão física: subida longa e retorno ainda mais perigoso
  • Sem comunicação: áreas sem sinal dificultam pedidos de socorro

Erros mais comuns

  • Subir sem cadastro/autorização
  • Iniciar trilha tarde demais
  • Seguir sozinho ou se separar
  • Subestimar o tempo de descida
  • Falta de equipamentos básicos

Recomendações essenciais

  • Faça cadastro obrigatório e respeite regras do parque
  • Nunca separe do grupo
  • Use GPS offline, mapa físico e bússola
  • Leve água, alimentação, lanterna, agasalho e kit de primeiros socorros
  • Avise alguém fora da trilha sobre rota e horário de retorno
  • Em emergência, acione 193 (Bombeiros)

A montanha não perdoa improviso. Informação e preparo salvam vidas.

Tribuna da Cidade
Direto da Redação
Texto e Editorial: Marcello Sampaio

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