Por Tribuna da Cidade | Jornalista: Marcello Sampaio
Josefa Ferreira de Araújo Vital, de 44 anos, foi encontrada morta dentro de um apartamento no bairro Capela Velha, em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A vítima havia sido agredida e ameaçada pelo ex-companheiro cerca de 20 dias antes do crime, conforme informações apuradas pelas forças de segurança.
O relacionamento entre Josefa e o suspeito durou aproximadamente quatro meses. Em outubro, ela se mudou de Fazenda Rio Grande para Araucária. No dia 13 de dezembro, a Polícia Militar foi acionada após um episódio de violência envolvendo o casal. Na ocasião, a vítima optou por não registrar boletim de ocorrência e retornou à casa dos filhos, em Fazenda Rio Grande.
Após esse episódio, familiares relataram que o ex-companheiro passou a perseguir Josefa por meio de mensagens constantes e insistentes.

Segundo a Polícia Civil, o último contato com a vítima ocorreu no dia 28 de dezembro. Ela informou que trabalharia nos dias 29 e 30, mas deixou de responder às mensagens. Preocupados, familiares foram até o condomínio onde o ex-companheiro residia e foram informados de que ele também não era visto desde o dia 29.
Com o apoio da Polícia Militar, os parentes entraram no apartamento e encontraram Josefa morta sobre a cama, com um ferimento profundo na região anterior do pescoço provocado por faca. O corpo já estava em avançado estado de decomposição em razão do tempo decorrido e das condições climáticas.
A perícia constatou marcas de sangue nas paredes, tufos de cabelo espalhados pelo quarto e sinais evidentes de luta corporal, indicando que a vítima tentou se defender.

Imagens de câmeras de segurança mostram o ex-companheiro deixando o apartamento sozinho, dirigindo o carro da vítima. O veículo foi localizado posteriormente abandonado em Betim. O suspeito segue foragido.
A arma utilizada no crime não foi encontrada. A investigação está a cargo da Polícia Civil do Paraná, que já representou pela prisão preventiva do suspeito. A identidade do homem não foi divulgada oficialmente.

EDITORIAL | Violência contra a mulher não é tragédia anunciada, é crime evitável
Casos como o de Josefa escancaram uma realidade dura e recorrente: a violência doméstica quase nunca começa no homicídio. Ela se inicia com ameaças, agressões, perseguições e controle psicológico. É exatamente para interromper esse ciclo que existe a Lei Maria da Penha.
A legislação brasileira é clara ao prever medidas protetivas de urgência, afastamento do agressor, monitoramento e responsabilização criminal. No entanto, o medo, a dependência emocional e a falsa esperança de mudança ainda silenciam muitas vítimas — um silêncio que pode custar vidas.
Em Araucária, o município conta com um importante instrumento de proteção: a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal, uma unidade especializada que atua no acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, realizando visitas preventivas, fiscalização do cumprimento das ordens judiciais e resposta rápida em situações de risco.
Essa patrulha representa um avanço concreto na política pública de enfrentamento à violência contra a mulher, mas seu sucesso depende também da denúncia, do acolhimento e do apoio da sociedade.
Violência doméstica não é problema privado, é crime.
A omissão mata. A denúncia salva.
Se você ou alguém que conhece vive situação de violência, procure ajuda. A rede de proteção existe para agir antes que seja tarde demais.
Tribuna da Cidade
Marcello Sampaio – Jornalista


