Um jovem de 21 anos foi preso em flagrante neste domingo (4) após confessar o assassinato da própria mãe e do irmão, de apenas dez anos. O crime ocorreu no porão da residência da família, localizada na Vila Lourdes, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.
A Polícia Militar foi acionada por um familiar das vítimas, que relatou que a mulher e a criança haviam sido mortas dentro da residência. Ao chegarem ao local, os policiais encontraram o suspeito sentado na calçada em frente à casa, com a cabeça baixa. Questionado pela equipe, ele admitiu ter cometido os homicídios.

Segundo o relato prestado à polícia, o jovem deixou uma faca previamente separada na pia da cozinha, conduziu o irmão mais novo até o porão e passou a atacá-lo. Ao ouvir os gritos da criança, a mãe desceu para verificar o que estava acontecendo e também foi morta.
O autor informou ainda que faz uso de medicamentos controlados. Ele recebeu voz de prisão no local e foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Campo Largo, onde foi autuado em flagrante.
A Polícia Científica realizou a perícia no imóvel, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura as circunstâncias, a motivação do crime e o histórico do autor.

EDITORIAL |

O crime ocorrido em Campo Largo não é apenas um caso policial. É um alerta social grave, que expõe falhas profundas na forma como o Estado, a família e a sociedade lidam com saúde mental, prevenção da violência e sinais claros de ruptura emocional.
Não se trata de justificar o injustificável. Duas vidas foram brutalmente interrompidas — uma delas, de uma criança. O que se impõe é a necessidade de enfrentar o debate sem hipocrisia: quantos surtos são ignorados até que se transformem em tragédia? Quantas famílias convivem com situações-limite sem qualquer acompanhamento efetivo?

O discurso fácil de “caso isolado” já não se sustenta. Tragédias domésticas com extrema violência têm se repetido, quase sempre precedidas por sinais ignorados, ausência de acompanhamento médico adequado, falta de integração entre saúde, assistência social e segurança pública.
A pergunta que precisa ser feita — e respondida — é dura, mas necessária: o sistema falhou antes do crime acontecer. Falhou ao não monitorar, falhou ao não proteger, falhou ao não intervir.
Quando o Estado chega apenas para contar corpos, ele chega tarde demais.
É urgente investir em políticas reais de saúde mental, protocolos de risco, acompanhamento familiar e atuação preventiva. Segurança pública não começa na viatura, começa na prevenção.
O silêncio institucional também mata.
Texto e Editorial: Marcello Sampaio
Jornalismo responsável, crítico e independente



