Tribuna da Cidade | Direto da Redação
Jornalista: Marcello Sampaio
A sucessão do Palácio Iguaçu em 2026 já se consolidou como o principal tema da política paranaense. Com o governador Ratinho Junior encerrando seu segundo mandato e impedido constitucionalmente de disputar a reeleição, o cenário abre espaço para uma disputa ampla, fragmentada e ainda em construção, reunindo nomes tradicionais, lideranças em ascensão e projetos políticos que seguem em fase de articulação.
Apesar do calendário eleitoral ainda permitir mudanças significativas, alguns fatos já estão claros e ajudam a compreender o desenho atual da corrida pelo governo do Paraná.

O cenário consolidado até agora
Sergio Moro: liderança nas pesquisas e impasse político
O senador Sergio Moro desponta como o nome mais competitivo nos levantamentos de intenção de voto realizados até o momento. Seu capital político, construído nacionalmente, o coloca na liderança em praticamente todos os cenários testados. No entanto, sua candidatura enfrenta entraves internos no campo partidário, especialmente relacionados à federação que envolve seu partido.
Na prática, Moro segue forte junto ao eleitorado, mas ainda precisa resolver o caminho jurídico-partidário que garanta segurança para registrar e sustentar uma candidatura ao governo estadual.
Os nomes cogitados para o Governo do Paraná
Base governista
Darci Piana (PSD)
Atual vice-governador, é um nome natural dentro da estrutura governista e aparece como opção de continuidade administrativa. Embora ainda não tenha feito anúncio formal, é citado nos bastidores como possível candidato caso o grupo do atual governo opte por um nome de perfil técnico e institucional.

Centro-direita e direita
Cida Borghetti (PP)
Ex-governadora, tem pré-candidatura colocada de forma objetiva dentro do Progressistas e representa uma tentativa de retomada de protagonismo do partido no cenário estadual.
Beto Richa (PSDB)
Ex-governador, voltou ao debate político e admite publicamente a possibilidade de disputar novamente o Palácio Iguaçu, em meio ao esforço de reorganização do PSDB no Paraná.
Paulo Martins (Novo)
Vice-prefeito de Curitiba, migrou para o Partido Novo e trabalha uma pré-candidatura com discurso liberal, apostando em visibilidade urbana e na força da capital.
Joanir Jonta (sem partido)
Empresário citado em conversas políticas e análises de bastidores como possível outsider. Até o momento, não há confirmação oficial de filiação ou pré-candidatura, mantendo seu nome no campo das especulações.

Campo Governista Federal
Gleisi Hoffmann (PT)
Uma das principais lideranças da esquerda no Paraná e no país, tem seu nome lembrado com frequência, mas o foco declarado até agora está na manutenção de seu espaço no Congresso Nacional. Não há, neste momento, sinalização clara de pré-candidatura ao governo estadual.
Novas siglas e candidaturas alternativas
Luiz França (Missão)
Ligado ao campo conservador e a movimentos de renovação política, surge como pré-candidato por uma sigla recém-estruturada, buscando ocupar espaço fora do eixo tradicional dos grandes partidos.
O que ainda pode mudar
O cenário eleitoral de 2026 no Paraná ainda está longe de ser definitivo. Convenções partidárias, alianças regionais, decisões judiciais e movimentos nacionais tendem a influenciar diretamente a composição final das candidaturas. Historicamente, o jogo só se consolida de fato no ano da eleição.

EDITORIAL | Política exige clareza, não torcida
A eleição de 2026 no Paraná exige mais do que paixão ideológica ou torcida antecipada. Exige responsabilidade política, clareza de projetos e compromisso com o interesse público. O eleitor paranaense tem maturidade suficiente para diferenciar liderança de marketing, gestão de discurso e projeto de poder.
O excesso de especulação sem base concreta enfraquece o debate. Da mesma forma, candidaturas improvisadas ou construídas apenas no ambiente digital tendem a não resistir à pressão do processo eleitoral real.
O Paraná vive um momento decisivo: escolher entre continuidade administrativa, ruptura política ou um novo modelo de gestão. O papel da imprensa séria é informar, contextualizar e cobrar — nunca antecipar sentenças ou fabricar narrativas.
Até 2026, nomes virão e outros sairão do jogo. O que deve permanecer é a exigência por transparência, coerência e compromisso com o futuro do Estado.
Tribuna da Cidade
Direto da Redação
Texto e Editorial: Marcello Sampaio


