4 de janeiro de 2026 Polícia Civil mantém caso do jovem desaparecido no Pico Paraná como sumiço sem indícios de crime

Polícia Civil mantém caso do jovem desaparecido no Pico Paraná como sumiço sem indícios de crime

A Polícia Civil do Paraná informou, por meio de nota oficial, que segue tratando como desaparecimento sem indícios de crime o caso envolvendo o jovem Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, desaparecido desde o dia 31 de dezembro no Pico Paraná, em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba.

As buscas entraram no quarto dia consecutivo, mobilizando uma força-tarefa composta por equipes especializadas do Corpo de Bombeiros do Paraná, além do apoio de voluntários experientes em trilhas e montanhismo. A operação é considerada extremamente complexa, em razão do relevo acidentado, mata fechada, clima instável e baixa visibilidade em determinados pontos do parque.

Linha do tempo do desaparecimento

31 de dezembro (terça-feira)

  • Roberto inicia a subida ao Pico Paraná acompanhado de uma amiga.
  • Durante a trilha, o jovem passa mal, apresentando episódios de vômito, mas decide continuar a ascensão.
  • Ambos alcançam o cume da montanha, o ponto mais alto da Região Sul do Brasil.

Durante a descida

  • Roberto e a acompanhante se separam em determinado trecho da trilha.
  • O jovem não é mais visto após esse momento.

1º de janeiro (quarta-feira)

  • Familiares são comunicados do desaparecimento.
  • Buscas iniciais são acionadas.

2 e 3 de janeiro

  • O Corpo de Bombeiros intensifica os trabalhos, percorrendo trilhas oficiais e áreas de acesso conhecidas.
  • A Polícia Civil registra boletim de ocorrência e inicia as diligências investigativas.

4º dia de buscas

  • Equipes confirmam que todas as trilhas mapeadas já foram varridas.
  • A principal hipótese passa a ser de que o jovem esteja em área de mata fechada, fora dos caminhos convencionais.

Situação preocupa equipes de resgate

Segundo os bombeiros, Roberto está sem celular, sem documentos, com pouca comida e sem equipamentos adequados para permanência prolongada em ambiente de montanha. Essas circunstâncias elevam significativamente o grau de risco, especialmente diante das variações climáticas e da baixa temperatura registrada durante a noite.

Investigadores da Polícia Civil estiveram no local no último sábado, ouviram familiares e pessoas que participaram da trilha. A acompanhante do jovem já prestou depoimento formal na delegacia de Campina Grande do Sul.

Em nota, a Polícia Civil reforçou:

“Até o momento, o caso é tratado como desaparecimento, sem indícios de infração penal. As diligências continuam em andamento.”

O que levanta suspeitas e dúvidas na investigação

Embora não haja indícios de crime, alguns pontos seguem sob análise pelas autoridades:

  • Separação durante a descida, considerada o momento mais crítico da trilha;
  • Condições físicas debilitadas do jovem ainda na subida;
  • Ausência total de pertences, dificultando rastreamento;
  • Possibilidade de desorientação, queda ou tentativa de atalho fora da trilha oficial.

O comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) confirmou que a fase atual das buscas é a mais delicada, pois envolve varredura em áreas densas de vegetação, onde a progressão é lenta e arriscada.

EDITORIAL

Pico Paraná, silêncio, risco e responsabilidade

O desaparecimento de Roberto Farias Thomaz escancara uma realidade que insiste em ser ignorada: montanha não é passeio urbano. O Pico Paraná exige preparo físico, planejamento, equipamentos adequados, cadastro prévio e, sobretudo, decisões responsáveis.

Não há, até agora, qualquer elemento que indique crime. Ainda assim, o caso acende um alerta importante sobre a banalização do risco em ambientes naturais extremos. Subir debilitado fisicamente, separar-se do grupo e avançar sem recursos mínimos são decisões que, somadas, podem ser fatais.

O silêncio da montanha não é mistério — é consequência. Cada hora que passa amplia o desafio das equipes e reforça a urgência de políticas mais rígidas de controle, orientação e fiscalização no acesso a áreas de alto risco.

Enquanto familiares vivem a angústia da espera, bombeiros e policiais enfrentam condições adversas para cumprir sua missão: trazer respostas. O desfecho ainda é incerto, mas a lição já é clara: aventura sem responsabilidade cobra um preço alto — muitas vezes, irreversível.

Marcello Sampaio
Direto da Redação
Com informações da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP/PR)

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